Meia centena de ativistas dos direitos dos animais marchou hoje, pelas ruas de Viana do Castelo, para sensibilizar a população contra as corridas de touros, na primeira cidade do país a declarar-se antitouradas.

Promovida pelo grupo antitouradas de Viana do Castelo, a manifestação pacífica, controlada de perto por agentes da PSP local, fardados e à civil, começou cerca das 13:00 na estação de caminho-de-ferro da cidade.

A ação, que incluiu a distribuição de folhetos informativos, terminou na Praça da República, em pleno centro histórico, com uma representação teatral para chamar a atenção "para a dor infligida aos animais durante uma tourada".

Oito ativistas deitaram-se no chão daquela zona da cidade numa encenação em que apareciam com sangue e com "ferros" (utilizados nas corridas) espetados nas costas, despertando a atenção de quem passava pelo local.

"Este teatro pretende alertar as pessoas para o sofrimento a que são sujeitos os touros. As pessoas têm que se colocar no lugar do animal para sentir o que sentem, no momento"


Estas declarações foram proferidas pela porta-voz daquele grupo local, Ana Macedo.

A iniciativa foi convocada na sequência do anúncio de realização de uma tourada na cidade, no dia 23 de agosto, promovida por um grupo local de aficionados.

No final do protesto pacífico, Ana Macedo manifestou-se "satisfeita" com o resultado da ação de sensibilização, e anunciou uma manifestação de protesto no dia da corrida de touros, prevista para a veiga da Areosa, e indeferida a semana passada pela Câmara Municipal.

O município alegou "incumprimento" de vários regimes de ordenamento do território, como a Reserva Ecológica Nacional (REN), da Reserva Agrícola Nacional (RAN), do Plano Diretor Municipal (PDM), da Rede Natura 2000, e do Plano Ordenamento Costeiro (POC), entre Caminha e Espinho".

Contactado pela agência Lusa, o porta-voz do movimento "Vianenses pela Liberdade", que entregou, no passado dia 06, naquela autarquia, um pedido de licenciamento para uma tourada dia 23 de agosto afirmou "não ter tido ainda conhecimento oficial da decisão.

José Carlos Durães afirmou que "receber o indeferimento da Câmara vai recorrer à justiça".

"Como tem acontecido nos anos anteriores vamos interpor uma providência cautelar junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga", disse, lamentando que "o presidente da Câmara ainda não se tenha convencido de que não tem razão".

O grupo de aficionados foi criado em 2009, depois de a câmara local ter aprovado, por proposta da maioria socialista, uma declaração afirmando Viana como "antitouradas", prevendo não autorizar qualquer evento deste género em terrenos públicos ou privados, desde que tal dependesse de decisão do município.

O cartel da corrida integra os cavaleiros Rui Salvador, Marco José, Ana Batista, António Brito Pais, João Moura Caetano, e Joaquim Brito Pais, com a participação dos forcados de Santarém.

Serão lidados seis touros, três da ganadaria de Paulo Caetano e os restantes de Brito Pais.
 

Outra manif nas Caldas da Rainha


Cerca de 40 manifestantes antitouradas também se concentraram hoje num protesto em frente à praça de touros das Caldas da Rainha mas foram afastados do local pela PSP, devido à marcação de uma contra manifestação que não se chegou a realizar.

“É a terceira vez que o nosso protesto é boicotado por manifestações fantasma, impedindo o direito à manifestação, consagrado na Constituição Portuguesa”, disse à agência Lusa Diogo Bolinhas, organizador da manifestação convocada através da rede social facebook.

De acordo com o mesmo responsável “a informação [sobre o protesto] foi enviada para a câmara e para a PSP com 48 horas de antecedência”, mas quando hoje se concentraram junto à praça de touros, foram “afastados pela PSP com o argumento de que havia outra manifestação marcada para o local”.

A alegada contra manifestação foi marcada pelo movimento Pro-Toiro, favorável à realização das touradas, e segundo fonte da PSP, motivou “um despacho da autarquia determinando que os manifestantes a favor da corrida ficassem junto à praça [de touros] e os contra junto a cerca de 500 metros”.

A decisão provocou alguma exaltação entre os manifestantes antitourada que recusaram afastar-se do local voluntariamente, tendo sido obrigados pelos agentes no local a deslocarem-se para o local especificado pela câmara.

Durante uma hora, entre as 17:00 e as 18:00 (hora marcada para o início da tourada), os manifestantes gritaram palavras de ordem e ostentaram cartazes com frases como “tauromaquia é cobardia” ou “pessoas bem informadas não vão às touradas”.

À agência Lusa Diogo Bolinhas afirmou que o objetivo do protesto foi “acabar com um espetáculo de pura violência e desrespeito pelos animais”, criticando ainda o facto de se tratar de “um espetáculo que é pago por todos, através dos impostos”.

O protesto contou com participantes de vários pontos do país e com o apoio do partido PAN – Pessoas, Animais, Natureza e da CREA, uma associação local de defesa dos animais.

Os manifestantes desmobilizaram às 18:00 quando, na praça de touros, teve início a corrida com a participação dos cavaleiros António Telles e João Moura Júnior, o matador António Ferreira e os forcados das Caldas da Rainha e de Santarém.