O Ministério Público (MP) deduziu acusação contra o cavaleiro tauromáquico Marcelo Mendes, que terá abalroado vários manifestantes anti-tourada na Murtosa, imputando-lhe a prática de um crime de tentativa de coação na forma tentada, disse esta terça-feira o seu advogado.

O caso ocorreu em setembro de 2012, quando o cavaleiro, de 29 anos, alegadamente investiu com o cavalo sobre um grupo de manifestantes que protestava no exterior da praça de touros improvisada, contra a realização de uma tourada na praia da Torreira.

Na sequência dos acontecimentos, a Associação Animal, que tinha dois elementos da direção no local, apresentou queixa na GNR da Murtosa contra o cavaleiro, afirmando que se viveram «momentos de pânico». «As pessoas tiveram que fugir para não serem feridas pelo animal que era conduzido para cima delas», relatou a associação, acrescentando, contudo, que «não houve nenhum dano físico de maior».

A defesa de Marcelo Mendes já requereu a abertura de instrução do processo, para evitar a ida do arguido a julgamento, alegando que não foi praticado nenhum crime. «O cavaleiro estava a fazer o aquecimento numa zona onde havia alguns manifestantes e tentou controlar o cavalo que entrou em stress», disse à Lusa o advogado João Barroso Neto.

A tourada, que se realizou numa praça de touros improvisada junto ao parque de campismo, contou com os cavaleiros Joaquim Bastinhas, Brito Paes e Marcelo Mendes, estando as pegas a cargo dos forcados Amadores de Cascais e de Coimbra.

O evento gerou na ocasião uma onda de contestação na internet, com mais de 300 pessoas a assinar uma petição a condenar a realização deste tipo de iniciativas na Murtosa, alegando que o concelho «não tem, nem nunca teve, tradição de touradas».