O Tribunal de Torres Vedras condenou hoje um homem a 14 anos de prisão por matar com um tiro um amigo com quem dividia um terreno agrícola e que motivou desavenças.

«Não são razões válidas. Não há terrenos nem nada que justifiquem tirar a vida a outra pessoa», disse Rui Teixeira, presidente do coletivo de juízes, acrescentando que «fica por saber que a vítima o incomodou».

O arguido, de 64 anos, foi condenado por um crime de homicídio qualificado a 14 anos de prisão e a pagar 380 mil euros de indemnização, a repartir pela esposa e pelos cinco filhos da vítima, e foi absolvido de dois crimes de ameaça agravada sobre dois militares da GNR.

Apesar de não confessar o crime por alegada falta de memória, o tribunal deu como provados os factos da acusação, segundo a qual, no dia 08 de julho de 2013, na sequência de mais uma discussão que teve com o amigo junto aos terrenos agrícolas que exploravam perto da praia de Santa Cruz, o arguido foi a casa buscar uma arma.

No local, apontou-a ao outro homem, que se encontrava à sua frente, e disparou um único tiro. A vítima caiu no chão, acabando por morrer no caminho para a urgência do hospital de Torres Vedras.

«No local só estavam duas pessoas, uma com um tiro no peito e outra com uma arma na mão, cuja respetiva bala estava alojada no peito da vítima», afirmou o juiz para justificar que «não há dúvidas» de que o arguido não só praticou o crime, como «pensou bem no que ia fazer» ao ir a casa buscar a arma e levar 20 munições no bolso.

Depois de terem sido alertados pela esposa do arguido quando o viu a sair de casa armado, mal chegaram ao local do crime, os dois militares da GNR prenderam o então suspeito.

À saída da audiência, a advogada de defesa disse que vai recorrer, por discordar do valor da indemnização.