As obras em curso na Igreja dos Clérigos, no Porto, a concluir em dezembro, prometem revelar aos portugueses, aos turistas e aos próprios portuenses áreas até agora desconhecidas daquele espaço, permitindo uma «visita de 360 graus» ao edifício.

«Os portuenses, os portugueses e os turistas vão ver coisas que nunca estiveram abertas ao público, nomeadamente alguns pisos que estiveram sempre fechados. As pessoas visitavam única e exclusivamente a igreja e a torre e, a partir de 12 de dezembro, vão visitar espaços museológicos novos e modernos, como tecnologia de ponta, digital e multimédia, como o Museu da Irmandade e o Museu do Cristo, que serão de circulação obrigatória e desejada pelos turistas», afirmou o presidente da Irmandade dos Clérigos.

Falando no final de uma visita às obras de reabilitação da Igreja dos Clérigos, o padre Américo Aguiar salientou que a abertura à circulação de corredores até agora não transitáveis permitirá «uma visita de 360 graus a todo o edifício», que considerou ser «particularmente interessante».

Para o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva, que também participou na visita, a Igreja dos Clérigos, da autoria de Nicolau Nasoni, «era um edifício que estava esquecido nas suas múltiplas valências» e que, depois das obras, «os próprios portuenses, além dos [restantes] portugueses e dos estrangeiros, vão descobrir».

«O projeto de arquitetura de recuperação do arquiteto João Carlos Santos é magnífico. Estive cá há um ano e meio, antes de tudo isto arrancar, e, embora já tivesse ficado surpreendido pelo potencial que tinha este conjunto, hoje tive uma perceção muito melhor, porque está tudo já muito mais limpo e [próximo de] como vai ficar, com espaços muito mais abertos», afirmou Santos Silva.

Segundo o padre Américo Aguiar, as obras «estão a correr dentro do prazo e dentro do orçamento», estando a inauguração marcada para 12 de dezembro, às 12:00, exatamente 235 anos depois da primeira inauguração do monumento.

A intervenção representa um investimento total de 2,6 milhões de euros, comparticipados em 1,7 milhões pelo Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), cabendo os restantes 800 mil euros à Irmandade dos Clérigos, com recurso a financiamento do programa Jessica.

Destacando a importância de se cumprirem o prazo e o orçamento iniciais, o padre Américo Aguiar recordou que a Irmandade «tem recursos limitados», pelo que «todas as especialidades [envolvidas na obra] estão a fazer um esforço suplementar para corresponder na totalidade ao que está previsto e para não haver derrapagens que, depois, não há possibilidade de cobrir».

De acordo com o responsável da Irmandade, a obra não revelou, até agora, qualquer achado arqueológico «que exija maior atenção e acompanhamento», o que justifica com o facto de algumas das partes intervencionadas já o terem sido «num passado recente, no século XX».

«A última intervenção no edifício foi nos anos 90, em que a torre esteve entaipada para intervenção exterior. Nos anos 80 houve uma grande intervenção nos telhados e, durante o século XX, quando o edifício foi adaptado a residência de sacerdotes, houve várias salas em que foram feitas divisórias em tabique, mas que agora estão amplas para vermos a grandeza dos espaços», explicou.

Segundo notou o arquiteto João Carlos Santos durante a visita, trata-se de uma «intervenção rara em Portugal porque é global, desde o restauro até à obra de construção civil».

Depois de terminada a obra, a entrada dos visitantes na Igreja dos Clérigos passará a ser feita pela porta da Rua da Assunção, onde estará disponível um elevador destinado às pessoas com mobilidade reduzida e que permitirá o acesso aos quatro pisos do edifício que passarão a ser visitáveis.

Segundo o padre Américo Aguiar, a Irmandade pretende que a renovada Igreja dos Clérigos «seja um ponto de encontro de culto e de cultura», pelo que terá «acesso livre, sem franquia».