Por: Redacção /AV | 10-04-2009 11: 14
Com o nome pomposo de «crisis», em latim, a crise é este ano o «bode expiatório» que permitirá a milhares de pessoas esconjurarem pelo fogo todos os males, durante a tradicional Queima do Judas, em Tondela, refere a Lusa.
«O Judas vai arder como todos os anos, temos de encontrar um bode expiatório para lavarmos a alma e purificarmo-nos de todos os males», justificou o actor Pompeu José, da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT), entidade que todos os anos «pára» uma semana para preparar a preceito esta tradição.
Duas centenas de pessoas, incluindo muitos jovens da comunidade, «arregaçam as mangas» durante toda a semana para, no sábado à noite, cumprir este ritual pagão com um grandioso espectáculo de teatro de rua, denominado «Noves Fora Nada».
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Pompeu José, coordenador-geral das Oficinas da Queima, explicou que o espectáculo se desenrola desde o princípio dos tempos, como os primitivos, passando pelas descobertas até à actualidade.
«Chegamos aos nossos dias com uma promessa grande de emprego ou de ocupação. Toda a gente vai tirar do seu bolso e pôr num saco muito grande que vai subir numa bolsa. Só que a determinado momento cai e eles levam tudo e nós ficamos sem nada», avançou.
No final, é encontrado o «bode expiatório», uma «espécie de rato, com o simbolismo que ele possa ter de amealhar e de andar a roubar de noite, com patas de elefante», que «lixa tudo» por onde passa. «Vai ter essa imagem grotesca de um bicho que está quase a rebentar de gordo. No fim vamos queimá-lo e fazer uma festa», contou, acrescentando que caberá a cada espectador chegar à conclusão de quem são os culpados pela «crisis».
A ACERT promete um final de
esperança, até porque, como realça Pompeu José, há coisas que nem a «crisis» pode roubar: «a brisa do mar que continua a ser
grátis, a sopinha da avó¿»
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