A GNR vai deixar de fazer segurança dentro da residência de José Ramos-Horta, afirmaram esta terça-feira fontes da Presidência da República e da Polícia das Nações Unidas (Unpol) à Agência Lusa em Díli, Timor-Leste.

A alteração «concretiza a vontade pessoal» de José Ramos-Horta, expressa «informalmente» ao comando da GNR em Dezembro do ano passado, segundo fontes policiais internacionais em Díli.

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«Tem que haver espaço para o Presidente ter mais privacidade», explicou à Lusa um dos principais assessores de José Ramos-Horta para o sector de segurança, o ex-ministro do Interior Alcino Baris.

«A mudança tem a ver com o espaço de residência que é muito restrito. É um problema prático», acrescentou.

A decisão «não tem o apoio unânime» nem das forças envolvidas nem do círculo pessoal do próprio Presidente, referiu à Lusa fonte policial, que não quis ser identificada.

Fontes policiais e da Presidência da República afirmaram, por outro lado, que a alteração «não tem nada a ver» com o incidente que envolveu sexta-feira passada um grupo de timorenses num ataque a elementos da GNR em Díli.

Xanana condena ataque à GNR

No incidente, esta terça-feira condenado em nota oficial do gabinete do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, ficaram feridos quatro militares da GNR.

A alteração ao esquema de segurança do Presidente foi decidida numa reunião em Díli, realizada segunda-feira ao final do dia, entre os vários responsáveis operacionais e institucionais envolvidos, embora sem a presença do chefe de Estado.

Na sequência do ataque armado de que foi alvo a 11 de Fevereiro de 2008, e depois do regresso ao país em 17 de Abril, o Presidente Ramos-Horta passou a contar com segurança permanente, 24 horas por dia, de elementos da Secção de Operações Especiais (SOE) do Subagrupamento Bravo da GNR.

Dentro da casa

Os militares do SOE, em coordenação com elementos das forças de segurança timorenses, asseguravam a guarda de Ramos-Horta a todo o tempo, incluindo no interior da residência e durante a noite.

Com a nova decisão, a GNR passa a acompanhar o Presidente da República timorense exclusivamente no exterior da sua residência.

No interior do recinto onde reside José Ramos-Horta, a responsabilidade pela protecção do chefe de Estado será partilhada por elementos do Corpo de Segurança Pessoal (CSP) e da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da Polícia Nacional timorense (PNTL).

Foi no interior da residência que aconteceu o ataque armado do major fugitivo Alfredo Reinado e do seu grupo, que terminou com a morte do ex-comandante da Polícia Militar e de um dos seus homens.

O Presidente da República foi atingido a tiro pouco depois, na estrada junto à sua casa, por um dos ex-militares do grupo de Reinado.

17 elementos em Díli

A SOE, actualmente com 17 elementos em Díli, integra o Subagrupamento Bravo da GNR, uma força autónoma de polícia no seio da Unpol e no âmbito da Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT).

A mudança do esquema de segurança presidencial reavivou um debate recorrente sobre a segurança de José Ramos-Horta que envolve o seu círculo familiar, o grupo que estuda a reforma do sector de segurança de Timor-Leste e a Unpol.

«Em nenhum país do Mundo que funcione bem a segurança do chefe de Estado é decidida por ele próprio», afirmou recentemente à Lusa uma pessoa próxima de José Ramos-Horta que conhece bem as Forças Armadas e a PNTL.

«O que se passou a 11 de Fevereiro (com a segurança) foi inadmissível e é inadmissível o que continua a passar-se», declarou um oficial internacional directamente envolvido no desenho da protecção de José Ramos-Horta.