O Tribunal de Recurso de Díli, Timor-Leste, alterou a medida de coação ao português Tiago Guerra, que estava em prisão preventiva por suspeita de branqueamento de capitais, para Termo de Identidade e Residência, disse esta terça-feira fonte da defesa.

A mesma fonte disse à agência Lusa que a decisão foi comunicada na segunda-feira à tarde e que Tiago Guerra, que estava detido desde outubro, já foi libertado e está em casa de amigos.

O cidadão português foi libertado poucas horas depois de ter sido visitado pela primeira-dama de Timor-Leste, Isabel da Costa Ferreira, e depois de uma campanha de sensibilização levada a cabo por familiares e amigos.

Essa campanha suscitou várias ações diplomáticas e políticas nos últimos meses.

Na segunda-feira, o ministro de Estado e da Presidência do Conselho de Ministro de Timor-Leste, Agio Pereira, disse que a justiça timorense estava a fazer tudo o que é possível para concluir o processo judicial de Tiago Guerra.

"Sabemos que o nosso setor de Justiça, sobretudo no âmbito da Procuradoria-Geral da República, está a fazer tudo, dentro do possível, para poder concluir este processo", disse à Lusa Agio Pereira, à margem de uma conferência em Lisboa.


Tiago Guerra, suspeito do crime de branqueamento de capitais, foi detido em Díli, juntamente com a mulher, a 18 de outubro de 2014.

O Português estava em prisão preventiva sem acusação formal e a sua mulher, Chan Fong Fong Guerra, está com Termo de Identidade e Residência (TIR), impossibilitada de sair de Timor-Leste.

A lei timorense prevê que a prisão preventiva possa ser aplicada durante um ano e meio, renovável por mais um ano em casos de grande complexidade.

"Este (processo) está no âmbito processual da justiça. Já conversei com os seus pais (de Tiago Guerra) aqui (na conferência em Lisboa). Todos nós somos humanos, sentimos a sensibilidade de como questões processuais afetam famílias", sublinhou Agio Pereira.

"Não é prazer nenhum para o nosso Estado manter pessoas na prisão sem justificação e esperemos que este processo de investigação seja concluído o mais rápido possível", disse ainda o ministro timorense.


Oficialmente, e como disse recentemente à Lusa o procurador-geral timorense, José Ximenes, Tiago Guerra é suspeito do crime de branqueamento de capitais com "factos que aconteceram em vários países”.