Dois timorenses e um português foram ouvidos na passada quinta-feira pela Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC) timorense no âmbito de uma investigação à fuga do casal de portugueses Tiago e Fong Fong Guerra, disseram esta  fontes policiais.

Fontes ouvidas pela Lusa confirmam que os três homens fazem parte de uma lista extensa de pessoas, cidadãos timorenses e estrangeiros, incluindo vários portugueses, que as autoridades de Timor-Leste querem ouvir no âmbito da investigação à fuga.

Segundo as mesmas fontes, as três pessoas ouvidas na semana passada têm os seus passaportes retidos (que entregaram como identificação) apesar de nenhuma ter ainda sido acusada de qualquer crime ou sido presente a um juiz.

Uma outra fonte indicou à Lusa que "pelo menos quatro cidadãos, com dupla nacionalidade" estão a ser investigados.

Ângela Carrascalão, ministra da Justiça timorense, disse à Lusa desconhecer se está ou não em curso qualquer investigação, afirmando que a PCIC exerce as suas competências de foram independente.

Eu não pedi qualquer investigação e não tenho conhecimento de que alguma possa estar a decorrer", disse à Lusa.

Tiago e Fong Fong Guerra, que foram condenados a oito anos de prisão em Timor-Leste - o caso ainda não transitou em julgado e foi alvo de um recurso - fugiram para a Austrália, onde chegaram, de barco, a 9 de novembro.

O casal chegou a Lisboa no dia 25 de novembro.

A fuga do casal casou tensão diplomática entre Portugal e Timor-Leste, com o assunto a suscitar críticas de dirigentes políticos e da sociedade civil, com artigos a exigir investigações à embaixada de Portugal em Díli.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, garantiu que a embaixada em Díli respeitou a legislação portuguesa ao atribuir passaportes ao casal.

Na sequência da fuga para a Austrália, Augusto Santos Silva ordenou a realização de um inquérito urgente à Inspeção Geral Diplomática e Consular.

O casal Guerra renovou os respetivos cartões de cidadão no início deste ano, e mais recentemente foram emitidos passaportes portugueses.

Tiago e Fong Fong Guerra tinham sido condenados em agosto por um coletivo de juízes do Tribunal Distrital de Díli a oito anos de prisão efetiva e a uma indemnização de 859 mil dólares (719 mil euros) por peculato (uso fraudulento de dinheiros públicos).

Os portugueses recorreram da sentença, considerando que esta padecia "de nulidades insanáveis" mais comuns em "regimes não democráticos", baseando-se em “provas manipuladas e até proibidas”.