Na semana em que viu o seu secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Wengorovius Meneses, demitir-se "em profundo desacordo" em relação às políticas seguidas e "ao modo de estar" no exercício de cargos públicos, o ministro da educação disse este sábado que quem critica a política do Governo “apresenta uma visão conservadora do país”.

Tiago Brandão Rodrigues reagiu às críticas que são feitas às mudanças operadas pelo seu Ministério, dizendo que “confundem o que é bom senso com deixar tudo na mesma”.

“Somos criticados porque entendemos que a Educação é a única forma de lutar contra esse conservadorismo. A nossa política, em que acreditamos, é uma política progressista, apoiada não só pelo PS como pelos outros partidos que apoiam o Governo”

Tiago Brandão Rodrigues explicou que a política para a Educação do PS não poderia continuar a ser a que foi seguida nos últimos anos, devido à diferença substancial de conceitos.

“A Educação nunca será um ónus lateral e é absolutamente central nas prioridades do Governo. A Educação, para nós, nunca será vista pelo conceito de uma despesa não reprodutiva, nem os docentes são vistos como os principais inimigos do sistema educativo”, frisou ainda, citado pela Lusa, durante a conferência "Que escola para o século XXI?", organizada pelo Secretariado Nacional e pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista, em Aveiro.

Consenso para mais de quatro anos

O ministro defendeu “um verdadeiro entendimento social, que possa ir além da legislatura”, conforme propõe o Programa Nacional de Reformas, “em que a qualificação dos portugueses é um elemento estrutural".

“A escola merece e necessita de pacificação, recursos, planeamento, autonomia e reconhecimento social e institucional, que são fundamentais para que possa realizar a sua missão”, declarou.

A ideia, descreveu, "é ter um serviço nacional de educação, um verdadeiro serviço público de proximidade, em que o sucesso escolar seja o intuito primário e único de todos os que vão para a escola e onde todos os que acedem a esse serviço possam aprender, independentemente do contexto social dos que a ela acedem”.

Uma escola mais digital

Tiago Brandão Rodrigues deu ainda conta de que a sua ministerial está empenhada em desenvolver uma estratégia de modernização pedagógica, assente na produção e disseminação de recursos educativos digitais: “É importante também perpetuar essa utilização, no ensino presencial e à distância, com recursos que possam também ser utilizados no contexto familiar e fora da sala de aula”.

Para o titular da Educação, é preciso pensar na desmaterialização dos manuais escolares com um novo conceito:

“Um manual escolar digital não é um PDF do manual, mas um novo conceito interativo”.

Outro projeto em desenvolvimento é o armazenamento “em nuvem”, para servir toda a rede escolar, de material pedagógico que depois os alunos possam fazer o “download”.

“A inovação não é apenas um reforço ou modernização do 'hardware'. É muito mais do que isso e tem de se traduzir em ganhos de aprendizagem e contribuir para estratégias integradas de enriquecimento curricular, em diálogo com as escolas que se devem apropriar dessas inovações, porque a verdadeira inovação é feita pelos professores”, concluiu.

Estas declarações foram proferidas dias depois da polémica demissão do secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Wengorovius Meneses, que escreveu no Facebook sobre os motivos da sua decisão. João Wengorovius Meneses acabou por ser substituído por João Paulo Rebelo.