No processo da Operação Marquês, uma das 15 certidões extraídas para novos inquéritos-crime visa diretamente o antigo secretário de Estado das Obras Públicas do Governo de Passos Coelho, Sérgio Monteiro. Na mira da justiça está agora o projeto TGV.  

Antes de ingressar no governo de coligação, Sérgio Monteiro chegou a representar a Caixa Geral de Depósitos no consórcio Elos, juntamente com o grupo Lena e outras empresas, o mesmo a quem o Governo de Sócrates deu a concessão do troço Poceirão-Caia.

Na versão do Ministério Público, Sérgio Monteiro, já enquanto governante, poderá ter prejudicado o Estado para beneficiar ilegalmente o consórcio a que já pertencera.  

A certidão que a TVI consultou fala em "atuação opaca e obscura" do ex-governante. Diz que Sérgio Monteiro, já depois do chumbo do tribunal de contas ao projeto de alta velocidade, nada fez para impedir que o consórcio recorresse aos tribunais arbitrais, onde as decisões são tomadas por peritos indicados pelas partes em vez de juízes…

Aqui o Elos conseguiu o direito a uma indemnização de 150 milhões de euros. Para isso, dizem os investigadores, o consórcio invocou uma cláusula do contrato de concessão manifestamente nula à luz da lei. O atual Governo recorreu para os tribunais administrativos. Enquanto isso, a indemnização continua por pagar.

O novo inquérito investiga suspeitas de corrupção, prevaricação e participação económica em negócio. Contactado pela TVI, Sérgio Monteiro diz que o escrutínio é inerente às funções que desempenhou. Acredita que tudo será esclarecido e garante ter orgulho no trabalho realizado.