Dezoito pessoas, 13 homens e cinco mulheres, foram esta terça-feira detidas pela PJ por tráfico de pessoas, extorsão, lenocínio (incentivo à prostituição com fins lucrativos), falsificação de documentos e de associação criminosa, informou aquela polícia.

No decurso da operação "Corda bamba", foram efetuadas dezenas de buscas, efetuadas diversas apreensões relacionadas com os crimes e identificadas mais de uma centena de vítimas, adiantou a PJ. Mais de 30 buscas domiciliárias e a empresas situadas nas localidades do Ameal (Torres Vedras), Olho Marinho e Usseira (Óbidos), na região Oeste, Santiago do Cacém, Vila Nova de Milfontes e São Teotónio (Odemira), Beja e Serpa, no Alentejo.

O grupo criminoso organizado era formado maioritariamente por estrangeiros, que se dedicavam à angariação de trabalhadores, mediante a promessa de melhoria de vida das vítimas, que depois, exploravam através do recurso à violência, ameaça física e coação, bem como à exploração sexual de mulheres e à extorsão de outras pessoas.

Luís Neves, coordenador da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo, disse à agência Lusa que foi desmantelada uma associação criminosa, com uma "liderança forte" e com membros, na maioria estrangeiros, que se repartiam entre tarefas administrativas, coação e violência das vítimas no trabalho e transporte entre explorações.

A associação transportava imigrantes dos seus países, através de carrinhas, prometendo-lhes "bons salários, horário de trabalho, cama e roupa lavada" em explorações agrícolas, mas na chegada a Portugal esses trabalhadores não encontravam as condições oferecidas, explicou o responsável.

O grupo criminoso é suspeito dos crimes de tráfico de seres humanos para exploração laboral, bem como de exploração sexual de mulheres e extorsão de outras pessoas.

Os crimes estão a ser investigados em vários distritos do território continental.

Os detidos, com idades entre 20 e os 63 anos, vão ser submetidos a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação.

A investigação prossegue para identificação de outros potenciais elementos do grupo, bem como de outras vítimas.
O Relatório do Observatório de Tráfico de Seres Humanos do ano passado refere que o número de casos suspeitos diminuiu 36%.

Em 2014, Portugal manteve-se como “país de destino” (70% do número total de sinalizações), seguido de “país de origem” (43%) e como menos expressividade “país de trânsito” (16%).

O organismo do MAI refere igualmente que a maioria das vítimas detetadas em Portugal é europeia (132), destacando-se 78 de nacionalidade romena, seguindo-se as de origem africana (25), sobretudo da Nigéria (17).