A presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR), Teresa Tito Morais, disse hoje não ter elementos suficientes para dizer que há uma recusa dos refugiados em virem para Portugal, país que não é tradicionalmente de asilo.

Teresa Tito Morais reagia assim às declarações do diretor nacional adjunto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Luís Gouveia, hoje ao Diário de Notícia, que disse que o processo de recolocação de refugiados está “a ter dificuldades” devido à burocracia, mas também porque estes recusam viajar para Portugal.

“Não tenho elementos suficientes para dizer que há uma recusa por parte destes refugiados em virem para Portugal. O que posso dizer é que Portugal tradicionalmente não tem sido um país de asilo. A maior parte dirige-se para países da Europa como a Alemanha e a Suécia”.


De acordo com a responsável do CPR, os refugiados dirigem-se tradicionalmente para países onde têm mais referências: "amigos, familiares, que necessariamente lhes dão mais confiança".

“Contudo, não posso deixar de chamar a atenção para a grande inabilidade com que a Europa e os estados europeus continuam a lidar com este problema, porque perante uma situação dramática que já se vive há largos meses, impunham-se medidas mais concretas e agilizadas no sentido de uma maior mobilização dos estados para os receberem”.


No entender de Teresa Tito Morais, o mundo continua a assistir à inércia, com processos burocráticos complexos, que vão dificultando tudo.

“Há instrumentos que poderiam ter facilitado logo de início a redistribuição mais rápida das pessoas, que não foram aplicados pela indefinição, pela hesitação e pela falta de uma política comum de asilo que continua ainda a verificar-se”, vincou.

Por isso, a presidente do CPR considerou que “não é tanto uma preferência dos refugiados virem ou não para Portugal.

“Se lhes forem oferecidas oportunidades concretas, eles agarram-mas porque serão sempre melhores do que os difíceis momentos por que passam. Estão em situação desesperada”, concluiu.

Em entrevista publicada hoje no Diário de Notícias, o diretor nacional do SEF explica que “o processo de recolocação está a ter dificuldades” e que são atribuídas "responsabilidades às autoridades italianas e gregas, o que em parte é verdade, mas uma das principais razões tem que ver com o facto de os requerentes de asilo não quererem ser recolocados”.

De acordo com a notícia do DN, Portugal disponibilizou-se para receber 4.754 refugiados, mas este número pertence a uma primeira fase, que prevê a recolocação de 93.097 pessoas na União Europeia.

“A Plataforma de Apoio aos Refugiados tem lugar para mil destes imigrantes, mas segundo as autoridades nacionais foram oferecidos de mais de três mil”, escreve o DN.

“A capacidade que temos vai além do que é preciso recolocar a partir da Itália e da Grécia”, disse o diretor nacional do SEF.

Segundo o jornal, Portugal não é um país habitualmente escolhido pelos requerentes de asilo, como também não faz história em matéria de atribuição de estatuto, pois "aceita cerca de uma dúzia por ano”.

O DN escreve que as “associações representativas da sociedade civil dizem que essa é uma dificuldade, mas não é a principal razão. Acusam o modelo europeu de ser muito estático e lento para um processo que é muito dinâmico”.