A Procuradora da República, Teresa Sanchez, adjunta de Orlando Figueira, quando o antigo magistrado trabalhou no DCIAP, teve nota de “Muito Bom” precisamente no processo em que o Ex Procurador é acusado de ter recebido luvas do número dois de Angola.

Na altura, Teresa Sanches assinava, em conjunto com Orlando Figueira, os despachos que são agora o foco deste julgamento e da acusação do Ministério Publico. 

A verdade é que quando a Procuradora foi avaliada para ser promovida, o Inspetor do Ministério Publico classificou-a como uma magistrada responsável.

Tudo isto consta de um documento reservado que a TVI teve acesso e que mostra mais uma vez, as fragilidades deste processo: dois pesos e duas medidas ignoradas pela acusação.

Um dos processos que foi analisado, foi o que agora está a ser discutido em tribunal em que Orlando Figueira é acusado de ter recebido luvas de Manuel Vicente, o número dois de Angola, a troco do arquivamento deste processo. Outro dos dossiers inspecionado, foi também a mega fraude ao tesouro angolano, em que mais uma vez Álvaro Sobrinho está entre os suspeitos.

Em todos estes processos, ligados ao poder politico, militar e económico em Angola, Orlando Figueira foi sempre assessorado por Teresa Sanches. No relatório, o inspetor do Conselho Superior do Ministério Público não hesita mesmo em falar da partilha intensa existente entre os dois magistrados.

“Teresa Sanchez atuou permanentemente na condição de magistrada assessora, partilhando o desenvolvimento de investigações criminais sob a direção de Orlando Figueira. A conclusão mais evidente revê-se no seu bom e sólido conhecimento do direito penal, nomeadamente no plano dos crimes de branqueamento de capitais e corrupção”, pode ler-se no relatório.

O relatório está repleto de elogios à procuradora e valeu-lhe uma classificação de “Muito Bom”. Uma nota que se traduziu na promoção de Teresa Sanchez a Procuradora da República, graças à sua intervenção em processos que agora estão em causa no julgamento da operação FIZZ.

Segundo o que a TVI conseguiu apurar, Teresa Sanches teve, em todos eles, um papel bastante ativo, ao contrario do que é dito pela acusação.

Emails que a TVI teve acesso provam que Teresa Sanchez não só concordou com o arquivamento do processo em que o Ministério Pública acusa Orlando Figueira de ter sido subornado pelo vice de Angola, como teve também conhecimento da decisão do antigo magistrado em ter mandado destruir e apagar todas as referências existentes a Manuel Vicente. Isto depois do número dois de Angola ter apresentado provas em sua defesa que levaram ao arquivamento do processo. Uma decisão de Orlando Figueira, partilhada por Teresa Sanchez, mas também pela então diretora do DCIAP, Cândida Almeida.

A TVI sabe ainda que a defesa de Orlando Figueira já pediu ao tribunal para que se junte ao processo o dossier Face Oculta, cortada à tesoura nas partes em que constavam as escutas a José Sócrates. Uma decisão tomada pelo então Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Orlando Figueira quer assim mostrar que a decisão que tomou relativamente a Manuel Vicente não é inédita e que em causa estaria a vida privada do ex-vice-presidente de Angola, depois de ter provado a sua inocência e consequente arquivamento do processo em causa.