O Tribunal de Aveiro condenou esta sexta-feira a cinco anos e meio de prisão um jovem de 17 anos acusado de ter tentado matar a avó com uma arma de fogo, em Sever do Vouga.

O coletivo de juízes deu como provado que o arguido muniu-se de uma pistola, que pertencia ao dono do restaurante onde estava a estagiar, e disparou um tiro, atingindo a avó na cabeça, sem motivo aparente.

O jovem foi condenado a cinco anos e meio de prisão por um crime de homicídio qualificado na forma tentada, tendo sido absolvido de um crime de detenção de arma proibida.

O relatório de perícia psiquiátrica refere que o arguido "apresenta sintomas depressivos e tem vindo a evidenciar alterações da personalidade". No entanto, o tribunal entendeu que estes sintomas "não são razões que permitam atenuar ou excluir a sua imputabilidade".

Após a leitura do acórdão, a juíza presidente dirigiu-se ao arguido realçando a gravidade dos seus atos e referindo que este tipo de situação "não devia acontecer, muito menos quando ocorre no seio familiar e de pessoas que o acolheram e trataram com carinho e afeto".


"Tem de assumir as consequências das suas atuações", observou a magistrada, adiantando que os problemas vividos na infância não podem servir de justificação, e estimulando o jovem a procurar ajuda médica e o apoio dos familiares.

Durante o julgamento, o arguido optou por remeter-se ao silêncio, tal como os avós, que foram arrolados como testemunhas pelo Ministério Público (MP).

O crime ocorreu no dia 21 de junho de 2014, pouco depois da meia-noite, na residência onde o menor, de nacionalidade francesa, vivia com os avós em Pessegueiro do Vouga, no concelho de Sever do Vouga.

Segundo a acusação do MP, o arguido aproveitou a ausência do avô, que já se tinha ido deitar, pegou numa pistola, aproximou-se por trás da avó, que se encontrava sentada num sofá a ver televisão, na sala de estar, e disparou um tiro, a muito curta distância, atingindo-a na cabeça.

O MP diz que o arguido apenas não logrou matar a ofendida porque o projétil não atingiu uma zona vital, como era a sua intenção, e porque a munição encravou na arma quando quis efetuar o segundo disparo.

O arguido agiu "de forma fria, metódica e organizada", tendo como objetivo "tirar a vida à sua avó paterna, indiferente aos laços de sangue que os unem, de estar confiado à mesma e da relação de afecto que esta tinha para consigo", diz o MP, sublinhando que o jovem alvejou a avó "sem ter qualquer motivo para tal e apenas pelo simples prazer de a matar".


O jovem, que frequentava um curso profissional de hotelaria, viveu a maior parte da sua vida em França, mas a partir de março de 2012 veio para Portugal e passou a residir com os avós paternos que passaram a assumir as responsabilidades parentais do menor.

Segundo a investigação, não eram conhecidos conflitos entre os avós e o neto, sendo o relacionamento entre ambos caracterizado por "um bom ambiente, com carinho, respeito e educação entre todos"

Na sequência dos ferimentos, a avó recebeu tratamento hospitalar e esteve internada mais de dois meses.