Quatro dos seis detidos indiciados por tentativas de homicídio de três agentes da PSP em Peniche têm antecedentes criminais, informou esta quinta-feira o coordenador da Polícia Judiciária (PJ) de Leiria, António Sintra, num encontro com a comunicação social.

Segundo o responsável, dois dos arguidos têm antecedentes relacionados com o crime de corrupção ativa e dois terão cometido crimes contra a integridade física, contra a liberdade pessoal e contra a honra. Um destes suspeitos já cumpriu pena de prisão.

António Sintra explicou que dos cinco homens e duas mulheres detidos no âmbito da operação, um dos homens «não está relacionado» com os incidentes ocorridos no passado dia 25 de dezembro em Peniche, «em que foram vítimas três agentes da PSP».

«Foram alvo de atos enquadrados na criminalidade especialmente violenta, foram vítimas de uma tentativa de homicídio, crimes de detenção de armas proibidas, dano qualificado e ameaças. Este conjunto de factos, que assumiu uma gravidade que não é de todo usual no nosso panorama criminal, deu início a uma investigação tutelada pelo Ministério Público de Leiria», explicou António Sintra.

O responsável acrescentou que «ao longo de um mês foram reunidos elementos de prova que levaram à emissão de 28 mandatos de busca domiciliários».

Durante a operação, foram apreendidas cinco armas proibidas, espingardas e caçadeiras, uma pistola e algumas armas brancas que «estavam na posse dos suspeitos», moradores «num complexo precário no centro urbano de Peniche, onde ocorreram os factos».

O comandante distrital da PSP de Leiria, Ismael Jorge, referiu que, paralelamente à operação da Polícia Judiciária, a PSP efetuou «uma operação especial de prevenção, que visou o controlo e remoção de quaisquer armas que pudessem existir naquele aglomerado», uma vez que, «além dos factos, havia outras referências a ilícitos criminais participados por residentes nesta área».

Ismael Jorge informou que na noite do dia 25 de dezembro uma viatura em que se circulavam duas pessoas já referenciadas pela PSP, por suspeita de crimes contra o património, se colocou em fuga em direção ao bairro onde residiam, ao aperceber-se da viatura da PSP nas imediações.

No momento da abordagem por parte dos polícias, acrescentou, «houve uma reação adversa dos suspeitos e de outros residentes, que fizeram uso de armas de fogo em direção aos agentes», reporta a Lusa.

Um dos agentes ficou com alguns ferimentos e precisou de tratamento hospitalar. A situação só ficou controlada com a chegada de reforços, informou ainda.

A operação envolveu esta unidade e as diretorias do Centro, de Lisboa e Vale do Tejo e a Unidade Nacional Contra-Terrorismo e contou com a colaboração do Comando Distrital de Leiria da PSP.

Os detidos são dois vendedores ambulantes e cinco pessoas sem ocupação laboral. Pelas 19:45 ainda estavam a ser ouvidos pelas autoridades judiciárias para primeiro interrogatório e aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.

Na mesma operação foram ainda identificados e detidos os suspeitos de «um crime de roubo, perpetrado com recurso a arma de fogo e a gás paralisante, ocorrido em abril do ano passado, de que foi vítima um funcionário dos CTT de Peniche», refere a PJ num outro comunicado que a Lusa refere.