As marés vivas dos últimos dias complicaram ainda mais a vida dos pescadores de Esposende, nomeadamente os que operam a partir da praia de Cedovém, onde a força das águas deixou «fora de serviço» a rampa de acesso às embarcações.

«O mar veio-nos oferecer uma prenda envenenada», desabafava Albertino Machado, um pescador que já não sai para a faina há mais de um mês e que agora receia que «tão cedo» não possa voltar a meter o seu barco na água.

Em Cedovém, as marés vivas engoliram cerca de 15 metros de duna, deixando completamente descalça a rampa de acesso para as embarcações. «Foram milhões de metros cúbicos de areia que foram embora», garantiu aquele pescador.

Albertino Machado adiantou que a rampa «rachou ao meio», em toda a extensão.

Aquele pescador antevê que a reposição da normalidade será demorada, o que significa problemas acrescidos para dezenas de famílias que vivem exclusivamente do mar.

Sobretudo quando, como é o caso, os pescadores «não ganham dinheiro» há mais de um mês, porque as condições climatéricas não o têm permitido.

Enquanto confessa apreensão em relação ao futuro, Albertino Machado manifesta esperança que «o mar vá abaixo, se acalme» e que as «autoridades competentes possam dar um auxílio».

À Lusa, o vereador da Proteção Civil na Câmara de Esposende, Maranhão Peixoto, garantiu que o Município está atento, adiantando que a solução passará pela «reposição da areia», para que as embarcações possam novamente fazer-se ao mar.

Segundo o autarca, as marés vivas provocaram ainda vários outros estragos em diversas praias do concelho, nomeadamente na da Rio de Moinhos, freguesia de Marinhas, onde as águas furaram uma duna primária, danificaram passadiços e invadiram um parque de estacionamento.

«Vamos avaliar a situação e, em conjunto com o Parque Natural do Litoral Norte e com o Ministério do Ambiente, como é que poderemos solucionar os estragos ou esbater o impacto deste mau tempo que nos está a atingir», acrescentou.