Portugal Continental vai ter, por ano, menos chuva e mais dias com precipitação extrema, revela um estudo da Universidade de Lisboa, que fez projeções até ao fim do século XXI, com base em modelos físicos.

O estudo, uma síntese dos cinco melhores modelos europeus para a precipitação, compara os valores obtidos em 30 anos de clima presente (1971-2001) com os projetados para 30 anos de clima futuro (2071-2100), disse à Lusa o coordenador da investigação, Pedro Matos Soares, do Instituto Dom Luiz, da Universidade de Lisboa.

De acordo com o estudo, publicado na revista Climate Dynamics, a quantidade de chuva média anual, em Portugal Continental, vai diminuir 20% no norte e 30% no sul, podendo no outono cair quase 40% mais a sul e no verão alcançar «menos de metade da precipitação atual» no norte e centro.

A investigação concluiu, também, que diminuem os dias em que chove pouco e, em contrapartida, aumentam, na ordem dos 20%, os dias com precipitação mais intensa, com risco de inundações dos campos e das cidades.

«Isto deve ser visto com certa apreensão (...), porque, se tivermos uma precipitação forte, os solos não conseguem reter a água, quer dizer que essa precipitação vai escorrer», assinalou Pedro Matos Soares, apontando outros problemas como a diminuição de água nas barragens e a consequente redução do abastecimento público e da produção de energia hidroelétrica.

O trabalho envolveu a parceria do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, estando em curso estudos do mesmo género para a Madeira e para os Açores.