Cerca de 120 alunos de uma escola em Telheiras, Lisboa, permanecem sem professor de matemática porque todos os candidatos colocados desde o início do ano têm vindo a rejeitar o lugar, disse à Lusa um encarregado de educação.

A situação levou um grupo de pais a assinar uma carta para o ministro da Educação, Nuno Crato, que será entregue esta terça-feira nas instalações do ministério, em Lisboa, com um abaixo-assinado com mais de 50 nomes de responsáveis por alunos.

«A minha filha vai na sétima professora e os outros alunos também. A última professora foi colocada na terça-feira, aceitou na quinta-feira e desistiu no sábado», afirmou à Lusa Pedro Costa Gomes, pai de uma aluna da Escola Básica de Telheiras.

A carta, a que a agência Lusa teve acesso, descreve a situação dos alunos de duas turmas do 8.º ano e de outras duas do 9.º ano da Escola Básica de Telheiras, perfazendo um horário completo a docência.

Os pais questionam-se como irão os alunos fazer exames nacionais a uma disciplina como matemática, habitualmente com fracos resultados, com o défice de aulas em causa.

«Coloca-se também a questão das aulas de compensação. Ou vão os pais pagar explicações? Há pais que não podem», lamentou Pedro Costa Gomes.

Na escola, o encarregado de educação obteve a informação de que o estabelecimento não pode avançar para contratação direta de um professor até 31 de dezembro ou até ao final do primeiro período escolar.

A escola está integrada no Agrupamento Vergílio Ferreira e, segundo Pedro Costa Gomes, os professores colocados têm alegado estar muito longe da residência, acabam por encontrar emprego no setor privado ou dedicar-se a outras atividades, e desistem.

«Foi-nos transmitido que, enquanto a bolsa de recrutamento tiver docentes em lista de espera, a escola não poderá avançar para a contratação direta, o que significa que esta situação se poderá arrastar durante mais tempo», escrevem na carta os encarregados de educação, pedindo a intervenção do ministro.

«Esta situação lamentável, seja por que motivo for, não se coaduna com a imagem de um Portugal desenvolvido e moderno que todos nós almejamos para os nossos filhos», defendem.

A Associação de Professores de Matemática admitiu desconhecer as razões da substituição frequente de docentes daquela disciplina nesta escola, classificando a questão como «meramente administrativa», mas considerando a situação prejudicial para os alunos.

«Os alunos estarem sem aulas, quer de matemática quer de outra [disciplina] qualquer, prejudica sempre, e prejudica profundamente quando é um prazo tão alargado», admitiu a presidente Lurdes Figueiral.



«Penso que tem a ver com uma questão administrativa, de regras de colocação de professores. Há uma entropia nestas regras que leva a que situações como estas possam acontecer. Tem de ser revisto este tipo de regras», defende Lurdes Figueiral.