A Escola Básica 2-3 Ruy Belo, em Monte Abraão, Queluz, proibiu recentemente a utilização de telemóveis e de leitores de mp3 dentro do recinto escolar para atenuar o clima de insegurança. Ainda assim, foram detectados de Setembro a Dezembro, 52 actos de violência, revela a Lusa.

Os casos são maioritariamente relativos à liberdade e integridade física das pessoas e deram origem a 48 processos disciplinares, segundo os dados da Equipa de Missão para a Segurança Escolar.

A proibição de telemóveis e leitores de mp3 tem como objectivo evitar situações de violência e também casos de furtos. A direcção da escola pediu aos professores uma maior atenção a situações de furtos entre alunos dentro do estabelecimento nomeadamente nos intervalos escolares.

As vítimas dos casos de violência detectados são maioritariamente alunos (35), com idades entre os onze e os doze ao passo que dez professores e quatro funcionários também sofreram actos de indisciplina.

Segundo a Equipa de Missão para a Segurança Escolar, os actos contra a liberdade e integridade física das pessoas (36), os actos contra a honra e o bom nome das pessoas (7) e os actos contra os bens e equipamentos pessoais (5) foram os tipos de ocorrências de maior relevo.

Os agressores são por norma reincidentes (38 vezes), actuaram 23 vezes no recreio e 17 nas salas de aula, são maioritariamente rapazes (41) e as idades que mais praticaram estes actos de indisciplina são os treze (18), onze (11) doze (9), e quinze anos (5).

Segundo a presidente da junta de freguesia de Monte Abraão, Fátima Campos, estes actos são o resultado da degradação do espaço da escola e da zona envolvente, e da educação que os alunos têm em casa, muitos deles oriundos de bairros sociais. «Há muitas famílias monoparentais, com muitas dificuldades económicas. Esta situação de indisciplina é muito preocupante», referiu a autarca.

Segundo Fátima Campos, a associação de pais da EB 2-3 Ruy Belo pediu a colaboração à junta de freguesia para que dê a conhecer a realidade da escola às entidades competentes como «o Ministério da Administração Interna, o Ministério da Educação, a PSP».

«Pediram-me para que houvesse mais vigilância na escola», disse a autarca.