Fernando Carvalho Rodrigues é físico e foi o responsável máximo pelo lançamento do PoSAT 1, o primeiro satélite português em órbita, mas se em 1993 lançava "tecnologia de ponta para o espaço" é dessa mesma tecnologia que hoje sente falta. Desde a passada sexta-feira, 8 de junho, que o físico português está sem conexão à Internet. 

O antigo professor catedrático do Instituto Superior Técnico de Lisboa mora, atualmente, em Casal de Cinza, aldeia do concelho da Guarda, terra que o viu nascer em janeiro de 1947. Carvalho Rodrigues voltou à terra natal e uma das condições que terá pesado foi facto de que "com a ligação à internet o interior deixou de ser periferia". Mas, para o físico, problemas como a falta de Internet, "voltam a colocar a zona na periferia do mundo". 

A chegada da Internet retirou o interior da periferia, mas estes problemas volta a colocá-lo mais afastado da aldeia global", considera, em declarações à TVI24. 

O sinal falhou na última sexta-feira e há sete dias que alguns habitantes de Casal de Cinza e das aldeias envolventes ficaram sem telefone e Internet. A razão apontada pelos técnicos, depois de Carvalho Rodrigues ter reportado a situação, foi o mau tempo e a chuva que caiu durante a última semana. O físico considera que a chuva não foi "significativa" e ironiza: "Se a chuva é mau tempo, no deserto é o paraíso".

Numa altura em que o mundo está preocupado com as alterações climáticas, estes senhores parecem ter medo da chuva", ironiza.

Para Carvalho Rodrigues, o problema está na falta de manutenção das infraestruturas de comunicações, e a visita que foi feita ao local por técnicos da empresa, esta quinta-feira, confirmou os problemas na rede. Os técnicos, segundo o físico, relataram que "há vários cabos partidos" e que não podem definir uma data para a resolução do problema. 

No século XXI estar oito dias sem Internet é uma eternidade", lamenta-se.

Esta situação é comparada, pelo antigo professor, à vivida no último ano durante os incêndios de outubro, por isso a chegada de uma nova época de fogos florestais "assusta a população" que ficou privada de um meio para pedir socorro, o telefone fixo. 

Além do cientista português, outra moradora de Casal de Cinza, Maria do Céu Fonseca, confirmou à TVI24 que há vários dias que o telefone fixo não funciona, mas não reportou a situação pelo facto do telemóvel continuar a funcionar. A habitante disse que tem conhecimento de outros casos no centro da aldeia. 

A Altice respondeu à TVI24por via telefónica, e esclareceu que tem conhecimento de apenas dois casos. A empresa conta resolver o mais rapidamente possível esta situação tendo já técnicos no terreno. Em declarações à TVI24, José Manuel Rabaça, secretário da junta de freguesia, desmente a empresa e garante que recebeu várias queixas dos moradores e fala de "uma falha permanente durante a última semana". O autarca disse que já foi ponderado escrever um manifesto, não só pela interrupção dos últimos dias, mas por "falhas constantes no serviço". 

A empresa, mais tarde, enviou o seguinte comunicado:

«A Altice Portugal confirma a existência de casos residuais de clientes que ficaram nestes últimos dias sem acesso a comunicações na aldeia de Casal de Cinza, no concelho da Guarda, devido a condições climatéricas adversas, com chuvas torrenciais e ventos fortes com impacto nas infraestruturas. A Altice Portugal indexou desde a primeira hora, logo que obteve conhecimento do sucedido, o reforço das suas equipas técnicas e os recursos necessários, pelo que os casos visados foram de imediato objeto de tratamento e ainda hoje os casos residuais ficarão resolvidos».   

O físico considera que o Estado tem quota parte na responsabilidade por estes problemas, pois "devia ser o próprio Estado a garantir uma rede permanente de Internet". 

Até que a situação seja resolvida, Carvalho Rodrigues vai ter que continuar a percorrer 15 quilómetros entre Casal de Cinza e a capital de distrito para poder entrar na aldeia global.

(Notícia atualizada com a nova resposta da Altice)