A greve desta sexta-feira dos técnicos de diagnóstico está a ter uma adesão a nível nacional que ronda os 85%, chegando aos 100% nalguns serviços, sobretudo ao nível das colheitas de sangue, segundo o sindicato.

Em declarações à Lusa, Luis Dupont, presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas do Diagnóstico e Terapêutica, disse que os dados indicam que a greve a nível nacional “teve uma adesão a rondar os 80 a 85%, com alguns hospitais a 90%, como Beja, Évora, Viseu e Garcia de Orta (Almada)”.

Nos grandes hospitais, como o Hospital de S. João, os Hospitais da Universidade de Coimbra e São José e Santa Maria, por exemplo, a adesão é de 80 a 85% na globalidade dos serviços”, acrescentou Luis Dupont.

O responsável explicou que “há serviços com adesão a 100% ao nível das colheitas” e que, em muitos casos, os técnicos estão apenas a garantir os serviços mínimos para apoio ao doente oncológico.

Luis Dupont disse ainda que o sindicato aguarda agora que o Ministério da Saúde apresente uma nova proposta e admitiu que, após as férias, caso o Governo não tenha nenhuma proposta nas matérias em causa, possa ser avaliada outra paralisação.

Não havendo propostas [que envolvam as matérias em causa], a não ser que o Governo decida legislar sem acordo dos sindicatos, se calhar voltaremos a avaliar a hipótese de avançar novamente para a greve”, afirmou o presidente do sindicato, sublinhando: “O que estamos a reivindicar sabemos que tem impacto orçamental, portanto, convém que estas matérias fiquem definidas antes da aprovação do Orçamento do Estado”.

Os técnicos de diagnóstico e terapêutica iniciaram hoje às 00:00 uma greve de 24 horas, reclamando uma revisão da carreira e questões ligadas à tabela salarial e à progressão na carreira.

A paralisação de 24 horas deve afetar análises clínicas, meios complementares de diagnóstico e alguns tratamentos, sobretudo nos hospitais.

Os profissionais estão também, desde o dia 1 de julho, a cumprir greve ao trabalho prestado além do período normal de trabalho.

"Superior a 90%" no Norte

A adesão à greve dos técnicos de diagnóstico e terapêutica nos hospitais da região Norte é “superior a 90%” e alguns serviços, como análises clínicas, “estão a funcionar apenas com os serviços mínimos”.

Temos ainda pouco dados [relativos ao turno da manhã], mas a adesão à greve é superior a 90% na região Norte”, afirmou Alexandra Costa, do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, adiantando que nos hospitais de Santo António e São João, no Porto, “as análises clínicas, a radiologia e a farmácia estão a funcionar apenas com os serviços mínimos”.

Segundo a responsável, a greve está também a ter “bastante impacto” no serviço de fisioterapia destes dos centros hospitalares do Porto, contudo, "ainda não há dados concretos sobre a adesão".

Relativamente ao Centro Hospitalar de Gaia/Espinho, Alexandra Costa referiu que “há impacto” no serviço de análises clínicas, mas o sindicato ainda não dispõe de dados concretos.

Vai-se manter uma grande adesão” à greve na região Norte, sublinhou Alexandra Costa, recordando a paralisação de 22 junho que, de acordo com o sindicato, “rondou os 95%”.

50% no Algarve

A greve “não está a ter grande adesão” nas unidades de saúde do Algarve, situando-se na ordem dos 50%, disse à Lusa o coordenador regional do sindicato.

De acordo com João Barnabé, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (SINTAP), os valores recolhidos no turno da manhã mostram que os profissionais em greve “rondam os 50%, não havendo constrangimentos nos serviços” nas unidades de saúde do Algarve.

Ao contrário da anterior paralisação [a 22 de junho], os números de hoje indicam uma menor percentagem de adesão à greve”, indicou João Barnabé.

Segundo o sindicalista, estão a ser garantidos os serviços mínimos, alguns dos quais com trabalhadores que manifestaram a intenção de aderir à paralisação”.

Ronda os 85% no Centro

A adesão à greve dos técnicos de diagnóstico e terapêutica ronda os 85% no Centro do país, com vários serviços encerrados e outros em serviços mínimos em hospitais da região.

A média da adesão à greve na região Centro situa-se nos 85%, disse à agência Lusa Fernando Zorro, vice-presidente Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, avisando que os dados são conservadores.

No Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra há serviços, como radiologia ou análises clínicas, com adesão superior a 90%, onde estão a ser cumpridos "praticamente apenas os serviços mínimos".

Em toda a região Centro, há vários serviços "fechados - aqueles que não têm de cumprir serviços mínimos - e outros estão apenas com os serviços mínimos, como é o caso de radiologia, farmácia ou análises clínicas", salientou, realçando que há vários serviços com adesão a 100%.

No Hospital de Leiria "só há praticamente serviços mínimos", já na Guarda a adesão ronda os 80%, acrescentou.

O panorama, referiu, "é transversal" a todos os hospitais da região.

Os dados vão ao encontro da adesão sentida na última greve, a 22 de junho, onde a média de adesão foi também de 85%.

"Isto deve-se à grande insatisfação dos profissionais", vincou Fernando Zorro.

Também a secretária-geral do Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica, Dina Carvalho, fala de uma grande adesão na região Centro, apontando para uma média de 90%.

"Nas últimas greves, tem rondado perto dos 100% porque a revolta destes trabalhadores é muita", explicou.

Adesão de 90% a 100% no Alentejo

Exames de radiologia, análises clínicas, cirurgias e serviços de fisioterapia cancelados são efeitos da greve dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica no Alentejo, onde a adesão se situa "entre 90% e 100%", segundo fonte sindical.

No Alentejo, tal como aconteceu na greve anterior, que decorreu no passado dia 22 de junho, a adesão à greve de hoje nas unidades públicas de saúde situa-se, em média, "entre 90% e 100%", disse Vítor Hugo Rego, dirigente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica.

Na Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, que gere o hospital de Beja e os centros de saúde de 13 dos 14 concelhos do distrito de Beja, com exceção de Odemira, a adesão à greve situa-se "acima de 95%", indicou o sindicalista.

No hospital de Beja, a adesão à greve nos serviços de exames de radiologia, cardiologia e pneumologia, análises clínicas e farmácia é de "100%" e "só estão a ser assegurados serviços mínimos".

No Hospital do Espírito Santo e nos centros de saúde do distrito de Évora, a adesão à greve situa-se "entre 90% e 100%", disse.

No Hospital do Espírito Santo em Évora, a adesão à greve nos serviços de análises clínicas, radiologia e farmácia é de "100%" e "só estão a ser assegurados serviços mínimos".

Segundo Vítor Hugo Rego, nos hospitais de Beja e Évora, é de 100% a adesão à greve nos serviços de fisioterapia, que estão encerrados, porque não há a obrigatoriedade de assegurar serviços mínimos.

Na Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano, que gere os hospitais de Portalegre e de Elvas e os centros de saúde do distrito de Portalegre, a adesão à greve situa-se, em média, "entre 90 e 100%".

No hospital de Portalegre, a adesão à greve é de "90%", sendo que no serviço de radiologia é de "75%" e nos serviços de análises clínicas e farmácia é de "100%" e "só estão a ser assegurados serviços mínimos".

O hospital de Elvas é a unidade hospitalar do Alentejo que regista a menor adesão à greve de hoje e que é de "75%", disse o sindicalista.

Na Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano, que gere o hospital de Santiago do Cacém e os centros de saúde dos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira, a adesão situa-se "entre 90% e 100%".

No hospital de Santiago do Cacém, a adesão nos serviços de análises clínicas, exames de cardiologia e farmácia situa-se "acima de 90%" e "só estão a ser assegurados serviços mínimos", disse, referindo que o serviço de radiologia está a funcionar normalmente, porque está concessionado a uma entidade privada.

Segundo Vítor Hugo Rego, em todos os hospitais públicos do Alentejo, foram canceladas e adiadas as cirurgias programadas que dependam do apoio de análises e exames de técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica.

Os quatro sindicatos que convocam a paralisação nacional de hoje exigem uma tabela salarial que respeite as suas habilitações profissionais e ainda outras matérias que respeitam às transições para nova carreira e ao sistema de avaliação, bem como à contagem do tempo de serviço.