A companhia teatral Seiva Trupe classificou a desocupação do Teatro do Campo Alegre como o final de uma «perseguição política» pelo presidente da Câmara do Porto e disse ter interposto uma providência cautelar contra o ato.

Em conferência de imprensa à porta do edifício onde mantiveram uma residência desde 2000, o advogado da companhia de teatro, Eldad Manuel Neto, disse que tudo será feito «para resolver este problema nas instâncias judiciais», tendo, por isso, interposto junto do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto uma providência cautelar já no dia 16 deste mês para suspender os efeitos de uma eventual desocupação coerciva, que veio a acontecer na madrugada de 16 para 17.

«A simples interposição desta ação suspende o ato administrativo [da desocupação]. No entanto, ela é decretada a 16 e a Câmara Municipal do Porto terá sido notificada na manhã do dia 17 de que se encontrava suspensa a execução deste ato. Da forma como souberam não sei, mas o certo é que, aproveitando-se do facto de não ter ainda sido citada pelo tribunal, na madrugada do dia 16 para o dia 17 vem aqui a Polícia Municipal proceder ao despejo, consumando pela calada da noite a desocupação coerciva das instalações da Seiva Trupe», declarou o advogado.

Eldad Manuel Neto disse ainda existir uma «discrepância grave» entre a Fundação Ciência e Desenvolvimento (FCD), que contratou inicialmente a 02 de fevereiro de 2000 com a Seiva Trupe enquanto proprietária do Teatro do Campo Alegre, e a Câmara Municipal do Porto, «dizendo-se proprietária do espaço e como tal com legitimidade para a desocupação coerciva», algo que terá acontecido pela primeira vez.

Por seu lado, Júlio Cardoso, um dos diretores da Seiva Trupe, considerou que o que se passou na madrugada de quarta para quinta-feira foi «o culminar de uma perseguição política» que acompanha a companhia «desde há mais de 12 anos» e questionou repetidas vezes: «Porquê?»

Eldad Manuel Neto lembrou que, no âmbito do Processo Especial de Revitalização «todas e quaisquer ações que estejam em curso ou a propor contra a entidade que requer a revitalização» devem parar imediatamente, o que não sucedeu e, no entender do causídico, em violação do Código da Insolvência e Recuperação de Empresas.