A Câmara do Porto decidiu encerrar o processo de negociações com a Seiva Trupe, alegando que o grupo teatral despejado do Teatro do Campo Alegre recusou todas as alternativas propostas pela autarquia.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Câmara do Porto, liderada pelo independente Rui Moreira, diz que foram propostas várias alternativas à Seiva Trupe para que esta companhia conseguisse «manter a sua atividade no mesmo espaço, mas sem o estatuto de companhia residente», no entanto todas as alternativas foram recusadas.

«A companhia Seiva Trupe recusou todas as alternativas propostas pela Câmara Municipal do Porto. Nestes termos, a Câmara Municipal do Porto considera estarem encerradas as negociações com a Seiva Trupe. Pela sua dimensão, importância e características, o Teatro do Campo Alegre é entendido pela Câmara Municipal do Porto como um teatro municipal, pluricompanhia, aberto à produção cultural da cidade», acrescenta o comunicado.

O documento refere que a Seiva Trupe não demonstrou, nos últimos anos, ter «capacidade» para suportar os custos inerentes à permanência como companhia residente no Teatro do Campo Alegre.

A autarquia do Porto afirma, também, que a Seiva Trupe não tem conseguido apresentar «programação continuada», ou seja, um programa «compatível» com o estatuto de companhia residente de um teatro da cidade.

«A ocupação que a Seiva Trupe fazia do auditório principal não chega a ser de 1%, o que corresponde a cerca de dois espetadores por dia», refere a nota remetida à Lusa, embora reconheça o «papel histórico» que esta companhia de teatro «desempenhou na promoção da cultura na cidade do Porto».

A Seiva Trupe foi despejada na madrugada do dia 17 do Teatro do Campo Alegre devido ao incumprimento no pagamento de uma dívida acumulada à autarquia, no âmbito do contrato de cedência daquelas instalações.

A companhia teatral classificou a desocupação do Teatro do Campo Alegre como o final de uma «perseguição política» pelo antigo presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, e disse ter interposto uma providência cautelar.