Dezenas de proprietários de carrosséis invadiram esta segunda-feira de manhã as instalações da AveiroExpo em protesto contra o aumento das taxas para a Feira de Março, em Aveiro, acusando a Câmara Municipal de promover a especulação e de não respeitar os direitos dos empresários.

Após se concentrarem junto ao Parque de Feiras e Exposições, empunhando cartazes de protesto, os manifestantes forçaram a entrada nas instalações.

Luís Paulo Fernandes, presidente da Associação dos empresários de diversão, disse à Lusa que o clima é de «grande ansiedade» por parte dos associados e que, até agora, apenas um equipamento de diversão está a ser montado, cujas condições de adjudicação têm de ser esclarecidas.

«Estamos contra o agravamento das taxas em cerca de 23 por cento, a especulação e chantagem que fazem aos empresários, negociando com cada um e tentando colocá-los uns contra os outros», disse.

O presidente da Associação considera o aumento das taxas de ocupação «exorbitante» e rebate a explicação dada pelo presidente da Câmara, Ribau Esteves, de que a Feira de Março deste ano tem melhor cartaz, com artistas de renome e que, por isso, vai atrair mais gente.

«O dinheiro não sobra para pão, quanto mais para a diversão. Não são os empresários que têm de pagar os artistas e não têm de pagar o cartaz. Os empresários têm uma expectativa perante a conjuntura nacional e que não alteram. Vem um dia de chuva que não resulta e as pessoas estão na tenda, mas os empresários estão cá fora», reporta a Lusa.


Luís Paulo Fernandes lembra que, nos últimos anos, a negociação dos espaços foi feita com a associação, tal como acontece no Porto e em Braga, mas admite que «não tem de ser, mas não pode é desrespeitar os direitos dos empresários».

Outro dos motivos do protesto é a alteração unilateral da planta de localização dos vários equipamentos: «foi uma alteração total e não falaram com o pessoal do comércio e não debateram. Misturaram as diversões de crianças com as diversões de adultos, sem observar princípios de segurança, nem organização mínima de um evento desta proporção».

Os empresários de diversões exigem ainda que o governo legisle para uniformizar os critérios a nível nacional, lembrando que foi aprovada por unanimidade uma resolução na Assembleia da República nesse sentido, mas continua a haver critérios diferentes conforme a zona do país.