A Câmara de Arraiolos assinala, na sexta-feira, a conclusão do dossiê de candidatura dos Tapetes de Arraiolos a Património Cultural Imaterial da Humanidade para entregar, depois, à comissão nacional da UNESCO, revelou hoje a autarca local.

“A candidatura tem estado a ser trabalhada entre a Turismo do Alentejo e o município e, na sexta-feira, a Entidade Regional de Turismo vai entregar-nos o respetivo dossiê”, disse à agência Lusa Sílvia Pinto, presidente da Câmara de Arraiolos, no distrito de Évora.

Este “patamar” é assinalado no dia em que começa na vila o certame “O Tapete Está na Rua”, dedicado precisamente ao Tapete de Arraiolos, com festa e animação até ao dia 10 deste mês.

Segundo a autarca, o dossiê relativo à candidatura fica, assim, “finalizado e pronto” para, “num momento posterior”, ainda não agendado, poder ser entregue à comissão nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

“Depois, irá seguir os procedimentos normais”, disse Sílvia Pinto, realçando que a candidatura “só em 2017 é que deverá ser formalmente apresentada” junto do comité internacional da UNESCO, em Paris.

Para a presidente da autarquia, os Tapetes de Arraiolos têm “todas as condições” para serem classificados Património Cultural Imaterial da Humanidade e o “selo” da UNESCO seria uma “importante mais-valia para a sua salvaguarda e preservação”.

“Há mais de 10 anos que a lei aprovada no Parlamento, por unanimidade, para permitir a certificação dos tapetes está na ‘gaveta’, por falta de regulamentação. Não queremos ficar parados à espera da certificação que nunca chega e, com a candidatura, procuramos valorizar o nosso património de outra forma”, assumiu.

A confeção dos Tapetes de Arraiolos envolve “uma história muito grande de passagem de conhecimento de mães para filhas, ao longo de gerações. É este saber fazer que queremos valorizar”, afirmou.

A classificação da UNESCO seria igualmente importante, destacou Sílvia Pinto, para defender este património típico de Arraiolos das falsificações que “inundam” o mercado.

“Queremos que as pessoas, quando comprem um Tapete de Arraiolos, saibam que não estão a comprar ‘gato por lebre’. Não quer dizer que uma pessoa não possa comprar um tapete que diga que é tipo Arraiolos, mas sim que o faça sabendo que esse não é original”, disse á Lusa.

No certame “O Tapete Está na Rua”, a partir de sexta-feira, um dos destaques habituais é a Mostra de Tapetes de Arraiolos, estendidos pelas ruas e locais nobres do centro histórico e pendurados em portas, janelas e varandas.

Concertos, feira de artesanato, recriação histórica e mercado medieval e atividades desportivas são outras das atrações do evento, organizado pelo município.

Do Tapete de Arraiolos, bordado a lã sobre tela, conhecem-se referências desde os finais do século XVI (1598), com origem na vila alentejana com o mesmo nome, povoada no princípio do mesmo século por mouros e judeus, expulsos da mouraria de Lisboa por D. Manuel I.

Segundo investigações históricas, as famílias ali fixadas encontraram abundantes rebanhos de boa lã e diversidade de plantas indispensáveis ao tingimento e fabrico das telas onde são manufaturados os tapetes, empregando a técnica do ponto cruzado oblíquo, denominada "Bordado de Arraiolos".