A proibição de fumar em parques, praias e outros espaços abertos aprovada esta semana em Nova Iorque não é aplicável em Portugal, pelo menos por enquanto, defende o presidente da Confederação para a Prevenção do Tabagismo, Luís Rebelo.

«Lisboa, por muito que queiramos, não é Nova Iorque, nem a população nova-iorquina é a população lisboeta, nem o presidente da câmara é algo semelhante ao senhor Bloomberg», ironiza o especialista, para quem há «um mundo de diferenças entre o que se passa e tem passado em Nova Iorque» e a realidade portuguesa.

«Não é aplicável, claramente» em Portugal, afirma, sobre a medida aprovada esta semana pelo conselho municipal de Nova Iorque, numa votação que foi imediatamente saudada pelo presidente da câmara, Michael Bloomberg.

Apesar de reconhecer a dificuldade de instaurar tal proibição em Portugal, Luís Rebelo considera que não deixa de fazer pensar: «Ao contrário do que muitos pensam, também é respeitável a coerência interna que tem existido no Estado de Nova Iorque, porque isto não é uma medida pontual».

A medida, diz, vem na sequência de muitas outras que a sociedade e os «mayors» tomaram em relação ao tabaco e que tem levado «a resultados palpáveis».

Cada vez existem «menos fumadores» no estado de Nova Iorque, a prevalência (do vício) tem «baixado consistentemente» devido a um «conjunto de políticas cada vez mais abrangentes» e mais restritivas, que têm passado por leis, preços «muito elevados» para os produtos de tabaco e «apoio aos fumadores».

Desde há muito que existem políticas restritivas em espaços fechados e agora «tomaram a iniciativa de avançar para espaços ao ar livre», observa.

Luís Rebelo enumera também os estudos científicos e publicações que atestam os resultados: «Temos literatura científica do estado de Nova Iorque que confirma e dá consistência às evidências científicas quanto à melhoria do estado de saúde dos residentes».

O especialista nota que os peritos nova-iorquinos foram dos primeiros a publicar dados científicos que confirmam «mais saúde em geral na população, menos enfartes do miocárdio nos hospitais e menos idas para as urgências».

A proibição aprovada em Nova Iorque abrange 1.700 parques e 22 quilómetros de praias da cidade, além de zonas pedonais como Times Square e a área de Brighton Beach, em Brooklyn (Sudeste).

Além de pagarem 11 dólares (cerca de 8 euros) por maço de cigarros, os fumadores nova-iorquinos terão de «refugiar-se» em casa ou no carro para saciar o vício, dentro de três meses.