O investigador da Universidade do Minho Jaime Correia de Sousa afirmou hoje que nos próximos anos pode assistir-se a um aumento da doença pulmonar obstutiva crónica, sobretudo na população que começou a fumar nos anos 70.

«A doença pulmonar obstrutiva pode começar a surgir na população que começou a fumar nos anos 1970», disse à agência Lusa Jaime Correia de Sousa, coordenador do Núcleo de Doenças Respiratórias da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF/GRESP) GRESP, explicando que, nessa década, «observou-se uma explosão do consumo de tabaco, em Portugal», sendo que a doença demora «entre 20 a 40 anos» a manifestar-se.

A doença pulmonar obstrutiva crónica será um dos temas abordados nas II Jornadas do Núcleo de Doenças Respiratórias da APMGF/GRESP, de cuja organização Jaime Correia de Sousa faz parte. O encontro vai realizar-se em Coimbra, na sexta-feira e no sábado, no Hotel Tryp.

Estas jornadas procuram informar e formar os médicos de clínica geral e de família para situações relacionadas com a pneumologia, sendo a asma, o tabagismo ou a doença pneumocócica outros dos temas abordados.

Jaime Correia de Sousa considerou estas jornadas «importantes» para que estes profissionais «tenham uma maior capacidade de intervenção».

«Os hospitais não têm nem nunca teriam capacidade para tratar» todos os doentes respiratórios, explicou, frisando que nos casos «menos severos» estes podem «ser tratados por médicos de família».

Segundo o coordenador do GRESP, a colaboração entre médicos especialistas e médicos de família e o tratamento fora dos hospitais permite «não sobrecarregar as consultas hospitalares, que ficam disponíveis para as formas mais severas».

As doenças respiratórias «normalmente manifestam-se no âmbito da consulta» de medicina geral ou familiar, sendo que, quando os doentes «se adaptam aos sintomas e se vão acomodando» aos mesmos, na altura da consulta, apresentam «casos mais graves».

«Aos primeiros sintomas de tosse ou de expetoração, as pessoas têm que ir a uma consulta», defendeu o investigador.

Na 2.ª edição destas jornadas serão também apresentadas aos médicos algumas novidades terapêuticas, como «fármacos com novas formulações» e inaladores diferentes para melhorar «o tratamento dos doentes».