O homem acusado de atirar gasolina à ex-mulher, à qual ateou fogo depois, na Nazaré, afirmou esta segunda-feira, no Tribunal Judicial de Leiria, estar arrependido, adiantando que agiu por ciúmes e para assustar a vítima.

«Arrependo-me do mal que fiz (...). Foi só para assustar, não era para matá-la», disse ao coletivo de juízes o arguido, de 43 anos, detido preventivamente, que está acusado de dois homicídios qualificados na forma tentada.

O suspeito confirmou ter atirado a gasolina ¿ «quase meio litro», que foi buscar ao carro, - «por ciúmes», pois «gostava muito» da ofendida.

O arguido admitiu ainda que, como a vítima ficaria queimada, «assim ninguém mais ficava com ela» e «podia ser que quisesse voltar» para ele.

Segundo o Ministério Público (MP), em data não apurada, a vítima «rompeu o relacionamento com o arguido, tendo iniciado nova relação», mas aquele «não aceitou de bom grado o rompimento do relacionamento, nem o facto» de aquela ter iniciado outro.

O MP adianta que, em janeiro, o arguido foi a casa da ofendida e, após «uma breve discussão», munido de uma navalha, «desferiu um golpe no pescoço da ofendida e, de seguida, um golpe nas costas da mesma», colocando-se de seguida em fuga.

No mês seguinte, dada uma reunião agendada com uma técnica da Segurança Social, ambos cruzaram-se e, no final, o arguido ofereceu-se para transportar no seu veículo a vítima, mas esta recusou.

«Verificando que aquela fez o percurso para a Nazaré de autocarro», o arguido deslocou-se para esta vila e «ficou a aguardar a sua chegada».

O MP relata que, após a chegada, abordou-a «de forma inesperada» pelas costas «e, de imediato, despejou sobre ela gasolina que transportava numa garrafa de plástico, ateando-lhe fogo de seguida com um isqueiro».

Ao tribunal, o acusado apresentou outra versão do esfaqueamento, alegando que foi a vítima que se cortou com a faca que tinha na mão e com a qual o pretendia atingir quando se deslocou à casa onde aquela estava a viver.

«Desviei-lhe o braço para me defender, não dei facada nenhuma nas costas», declarou.

Já a ex-companheira garantiu que o suspeito reagiu «muito mal» com a separação, adiantou ter sido por ele esfaqueada e, antes de mostrar as lesões ao tribunal, explicou que sentiu «um líquido a correr» e, depois, «viu-se em chamas».

O tribunal ouviu ainda três testemunhas e, nas alegações finais, o procurador da República João Valente pediu pena de prisão efetiva, enquanto a advogada Maria João Ramos considerou que num dos casos se está perante ofensa à integridade física.

A leitura do acórdão está prevista para dia 02 de outubro, às 09:10.