Os moradores de Póvoa das Leiras e Candal, no concelho de S. Pedro do Sul, foram aconselhados a permanecer em casa, disse o presidente da Junta, José Carlos Almeida.

O autarca encontrava-se na estrada de acesso às duas aldeias serranas, situadas na zona onde decorrem buscas para encontrar pelo menos um dos suspeitos de ter matado um militar da GNR, ferido outros dois, além de ter ainda matado um outro civil e ferido com gravidade uma mulher.

A nossa preocupação é que ele se possa meter nas aldeias e faça algum refém", disse José Carlos Almeida, presidente da Junta de Freguesia de Carvalhais e Candal, aludindo apenas a um dos suspeitos que populares terão avistado.

Segundo o autarca, "as pessoas estão todas avisadas pelas autoridades para se manterem em casa e fechadinhas".

Na aldeia de Candal vivem cerca de 40 pessoas e na de Póvoa das Leiras cerca de 20, a maior parte das quais idosas, acrescentou.

A estrada de acesso às aldeias foi cortada, o que motivou protestos de populares que não tinham outras formas de chegar a casa.

"Então o senhor presidente da Câmara passou e eu não posso passar?", perguntou um idoso a um dos militares da GNR que se encontrava no local, acrescentando que a mulher já estava farta de estar à espera na carrinha.

O senhor presidente foi em trabalho alertar a população para o que se está a passar. E eu tenho que cumprir ordens", respondeu o militar, alertando-o que "o indivíduo está a monte, armado" e é perigoso.

Abordado pelos jornalistas quando passava na zona onde a estrada estava cortada, o presidente da Câmara, Vítor Figueiredo, escusou-se a prestar declarações.

Cerca das 17:30, os idosos acabaram por ser levados a casa numa viatura da GNR.

José Carlos, taxista, era outro dos que esperava para passar.

Uns vizinhos meus viram passar o jipe onde ele ia. Contaram que ele cortou num estradão para a beira do rio, abandonou a viatura e fugiu a pé", relatou.

Conceição Pinho disse que o marido e outras pessoas também viram "o jipe passar no meio da aldeia" de Póvoa das Leiras.

Andavam a rachar e arrumar lenha e passou esse jipe. Nunca pensaram que era esse senhor, só depois quando a polícia veio e começou a fazer perguntas é que as pessoas disseram que o viram passar", contou.

Um militar da GNR foi hoje à tarde ferido em Candal, depois de um outro militar ter sido morto e o seu colega ferido, durante a manhã em Aguiar da Beira, disse à Lusa fonte da corporação.

A mesma fonte adiantou que o militar foi ferido por disparos de uma arma de fogo, estando as circunstâncias do incidente ainda por apurar.

Hoje de manhã, um militar da GNR de 29 anos foi morto e um outro de 41 anos ficou ferido com gravidade, numa altura em que realizavam uma patrulha em Aguiar da Beira, no distrito da Guarda.

Na sequência do tiroteio em Aguiar da Beira, a GNR montou uma operação policial na zona de São Pedro do Sul, distrito de Viseu, tendo já "recolhido indícios que permitiram isolar uma área", adiantou a fonte.

No local encontram-se várias valências da GNR, nomeadamente elementos da Companhia de Operações Especiais (COE) e elementos da Polícia Judiciária.

Ainda durante a manhã, enquanto eram efetuadas buscas na área, a GNR detetou mais duas vítimas civis com ferimentos de bala: o homem morreu e a mulher encontra-se em estado grave.

A GNR, que admite a existência de pelo menos dois suspeitos, admite que "haverá um elevado grau de probabilidade das duas situações estarem interligadas".