Pelo menos duas pessoas suicidaram-se por dia em Portugal em 2011, segundo dados de um relatório, que alerta para o risco de a crise inverter a tendência tradicional e levar ao aumento de suicídios entre os mais jovens.

O Relatório «Portugal Saúde Mental em Números», da Direção-geral de Saúde (DGS), revela que, em 2011, suicidaram-se 951 pessoas, sendo entre os idosos com mais de 70 anos que se verifica maior incidência, com uma taxa de mortalidade (nesse ano) de 21,4 por 100 mil habitantes.

O documento recorda que a Organização Mundial da Saúde (OMS)/Europa «vem alertando para a possibilidade de, ao contrário do tradicional e por efeito da crise, se verificar aumento da taxa na meia-idade e em adultos jovens».

O relatório aponta ainda para um maior registo de casos de suicídio nas regiões do Alentejo e do Algarve, o que requer a intervenção de brigadas móveis em zonas de dispersão habitacional e menor densidade demográfica.

Outra recomendação é no sentido de prevenir o suicídio através da melhoria da capacitação diagnostica e terapêutica das perturbações depressivas, nomeadamente nos cuidados de saúde primários (CSP).

Aliás, os CSP têm um papel fundamental na área das doenças mentais, de acordo com o documento, que revela que a OMS e a União Europeia consideram que o modelo de intervenção baseado na articulação entre as equipas comunitárias multidisciplinares e os CSP é o mais económico e eficaz.

Ainda de acordo com o relatório da DGS, o consumo de antidepressivos em Portugal é superior à média da União Europeia e geralmente este grupo de fármacos é utilizado para as perturbações depressivas e não para as perturbações ansiosas, como recomendam as boas práticas clínicas.