O ministro da Administração Interna esclareceu, esta quarta-feira, que as reuniões com os sindicatos da PSP e associações da GNR nunca tiveram como objetivo encontrar alternativas aos cortes salariais, destinando-se o aumento do subsídio de fardamento às novas fardas.



«Pretendeu-se fazer passar a ideia que o objetivo daquelas reuniões era anular os cortes remuneratórios que tinham acontecido, esse objetivo evidentemente não podia existir, nem nunca existiu, porque isso significava que os cortes não necessitavam de serem feitos», disse aos jornalistas Miguel Macedo, à margem da primeira de cinco conferências promovidas pela GNR sobre o tema «segurança e desenvolvimento».



De acordo com a Lusa, o ministro da Administração da Interna referia-se à ronda de três reuniões que manteve com os sindicatos da PSP e das associações socioprofissionais da GNR. De acordo com estas estruturas, as reuniões tiveram como objetivo encontrar soluções para minimizar os cortes salariais e o aumento do subsistema de saúde (SAD) de 2,5 para 3,4 por cento.



Os sindicatos da PSP e associações da GNR chegaram admitir que o ministro Miguel Macedo manifestou abertura para encontrar alternativas aos cortes.



As reuniões terminaram, na segunda-feira, com o anúncio de uma aumento, em 25 euros mensais, do subsídio de fardamento, passando os elementos da PSP e GNR a receber 600 euros anuais.



Nas declarações aos jornalistas, o ministro afirmou que «foi possível proceder a um aumento de 100 por cento do subsídio de fardamento», tendo em conta as alterações ao fardamento que já estão em curso na GNR, desde 2013, e que vão ser feitas na PSP.



«O novo plano de fardamento nas duas forças de segurança exige que os militares da GNR e os elementos policiais da PSP ajustem e adaptem o seu fardamento», disse Miguel Macedo. O ministro adiantou que, desde o início das reuniões, não esteve em causa «uma situação que anulasse os cortes» salariais.



«Seria completamente estúpido que se impusessem cortes, como aqueles que estão a acontecer infelizmente em Portugal, e somos obrigados a fazer, e que depois se viessem a revelar que não tinham que acontecer», defendeu.



Os sindicatos da PSP e associações da GNR saíram desiludidos das reuniões com Miguel Macedo. Os sindicatos consideraram insuficiente o aumento do subsídio de fardamento, e apelaram à participação na manifestação nacional que a Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança realiza em Lisboa a 6 de março.



Sobre o protesto, Miguel Macedo afirmou que as associações e sindicatos «têm o direito em marcar manifestações», mas, por serem elementos das forças de segurança e agentes da autoridade, «requer-se que exista um especial cuidado no cumprimento escrupuloso da lei nessas ocasiões».



A 21 de novembro de 2013 as forças de segurança também se manifestaram em frente da Assembleia da República, em protesto pelos cortes salariais. Nesse dia acabaram por protagonizar momentos de tensão ao romper o cordão policial e subir as escadarias do edifício, só parando à porta. Na altura, os promotores disseram que foi a maior manifestação de sempre.