O juiz conselheiro do Supremo Tribunal, Santos Cabral, afirmou esta sexta-feira, em Coimbra, que jornalistas e comentadores deveriam deixar a justiça funcionar, defendendo a existência de um «rigor ético» na relação entre comunicação social e justiça.

«Neste momento, era bom que as pessoas meditassem em vez de estarem a alimentar algo que não conhecem», disse à agência Lusa Santos Cabral, sublinhando que «comentadores e jornalistas têm de deixar a justiça funcionar».

O juiz conselheiro do Supremo Tribunal frisou que, «no direito anglo-saxónico, há um respeito absoluto da imprensa na forma como lida com determinado tipo de processos», referindo que, em Portugal, «gostaria que, nas relações entre imprensa e justiça, existisse o mesmo rigor ético».

«Existe uma excelente imprensa, mas também há comportamentos que deslegitimam as decisões», apontou Santos Cabral, que falava à margem da cerimónia do Dia da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, que contou com a presença do presidente do Tribunal Constitucional, Joaquim Sousa Ribeiro, e do presidente da Assembleia da Faculdade, João Calvão da Silva.

Santos Cabral, durante a sua intervenção, abordou o mesmo assunto, referindo que a comunicação social e a justiça se «podem respeitar, desde que cada um tenha o seu campo concreto».

A procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, que tinha participação prevista no programa do colóquio, acabou por não estar presente.