Fernando Mendes e os outros três detidos vão ficar em prisão preventiva, informou o Tribunal.

Depois de serem ouvidos esta sexta-feira, os quatro ficaram a conhecer as medidas de coação e ficarão detidos até serem presentes a julgamento.

Os quatro suspeitos, com ligações à claque Juve Leo, foram detidos na quarta-feira por suspeitas de coparticipação na invasão de instalações e agressões aos futebolistas e equipa técnica do Sporting na Academia do clube, em Alcochete. No dia do ataque já tinham sido detidos 23 pessoas, que também ficaram em prisão preventiva.

Em comunicado distribuído aos jornalistas, o tribunal justificou a aplicação da medida de coação mais gravosa, devido aos “tipos de crime que lhes são imputados” e por se verificarem perigo de fuga, perturbação do inquérito, “continuação da atividade criminosa, bem como de grave perturbação da ordem e tranquilidade públicas”.

O advogado de Nuno Torres anunciou hoje que vai recorrer da decisão.

Obviamente vamos recorrer. Isto não se justifica de maneira nenhuma. É a bitola estipulada pelo Ministério Público, os órgãos de comunicação social também não ajudaram (…) a partir de agora temos de recorrer”, disse Francisco Macedo, advogado de Nuno Torres, à saída do interrogatório judicial que hoje decorreu no Barreiro.

Esta medida de coação era a esperada até pelos advogados dos supeitos, que já o tinham dito à hora de almoço.

Acho um bocadinho estranho isto ser considerado terrorismo. A ideia que tenho, desde o primeiro dia, é que vão ficar todos presos, mas eu sou advogada e vou morrer a recorrer, para que se faça justiça", afirmou Sandra Martins, advogada de Fernando Mendes, aos jornalistas, à saída do Tribunal do Barreiro para uma pausa de almoço.

O advogado de Nuno Torres, suspeito que ficou conhecido por ter conduzido o carro azul que retirou de Alcochete Fernando Mendes e mais elementos da Juve Leo, acreditava que o seu cliente tinha argumentos para ser libertado, mas que não sabia se isso ia acontecer.

Tenho esperança que o Nuno saia hoje em liberdade. Até agora, não vejo razões para que seja decretada prisão preventiva, mas pode acontecer. Há condições para ele sair em liberdade, mas espero que, da outra parte, aceitem os nossos argumentos", referiu Francisco Macedo, à saída do tribunal para a pausa para almoço.

De acordo com a Procuradoria Distrital de Lisboa (PGDL), os quatro detidos foram constituídos arguidos “por existirem fortes indícios de comparticipação” na invasão e agressões ocorridas na Academia do Sporting, em 15 de maio.

Segundo a mesma fonte, os factos em causa são “suscetíveis de integrar a prática dos crimes de introdução de lugar vedado ao público, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, sequestro, dano com violência, detenção de arma proibida agravada, incêndio florestal, resistência e coação sobre funcionário e terrorismo”.

No dia 15 de maio, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na Academia do clube por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram técnicos, jogadores e ‘staff’.

Na altura a GNR deteve 23 dos atacantes, que permanecem em prisão preventiva.