O espólio do arquiteto Eduardo Souto de Moura, que está já está a ser tratado, vai ficar à guarda da Casa da Arquitectura, em Matosinhos, sendo assim assegurado que o acervo do Pritzker permanecerá em Portugal.

Em antecipação à agência Lusa, fonte oficial da Câmara de Matosinhos explica que a entrega do espólio já foi concretizada no final de 2014 e que em breve será formalizada com a assinatura de um contrato de depósito entre o arquiteto Souto de Moura, a autarquia e a Casa da Arquitectura.

De acordo com a câmara, desta forma fica garantido que «este importante património permanecerá em Portugal», sendo o espólio do Pritzker «um património notável e que será uma pedra basilar na concretização do projeto da Casa da Arquitectura e na afirmação de Matosinhos como Cidade dos Arquitetos».

O presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, disse à agência Lusa ser «uma honra» para o concelho que um legado com esta dimensão cultural lhes seja entregue, para que possa ser preservado e divulgado.

«Por outro lado, a confiança que o arquiteto Souto de Moura depositou em nós credibiliza mais ainda o projeto da Casa da Arquitectura, que rapidamente adquirirá a projeção internacional que a arquitetura portuguesa justifica», acrescentou.

As obras para as instalações da Casa da Arquitectura vão avançar dentro dias e é estimado o investimento de cerca de três milhões de euros na reabilitação da antiga Real Vinícola, projeto que «permitirá reunir condições técnicas de exceção para acolher, tratar e divulgar o trabalho de arquitetos portugueses».

O espólio do arquiteto já está a ser guardado e tratado pela Câmara de Matosinhos e pela Casa da Arquitectura, ficando a autarquia responsável pelo depósito e pela segurança do material até ao final da reabilitação do edifício.

O contrato de depósito, que não implica qualquer pagamento, prevê ainda que a Casa da Arquitectura promova «o conhecimento do espólio e que possa expô-lo nas suas instalações e/ou em outros pontos de interesse nacional e internacional, e também que seja facultado o acesso ao espólio por parte de todos os interessados».

Do acervo de Souto de Moura entregue fazem parte 402 maquetas de estudo, em cartão prensado, de um conjunto muito vasto de projetos, tendo sido igualmente entregue a coleção de maquetas de apresentação «Temi di projeti - Obras e Projectos de Eduardo Souto Moura», na maioria em madeira, de 21 projetos, para além de 54 painéis fotográficos com fotos do Luís Ferreira Alves e, em alguns casos, esquissos do Souto de Moura.

Recorde-se que, em julho, o arquiteto Siza Vieira anunciou a decisão relativa ao seu acervo, tendo optado por doar uma parte a duas instituições portuguesas, Fundação Gulbenkian e Fundação de Serralves, e outra ao Centro Canadiano de Arquitetura.

De acordo com a página oficial, a Casa da Arquitectura, cuja direção é da Câmara de Matosinhos, é atualmente uma associação cultural sem fins lucrativos que envolve não só arquitetos mas pessoas de várias áreas que decidiram incentivar e apoiar um projeto em que acreditam, sendo objetivo constituir-se como Fundação a curto prazo e tendo a seu cargo a gestão do Centro de Documentação Álvaro Siza (CDAS) e a obtenção de espólios de diversos arquitetos, património futuro da Fundação.