Os portugueses apostaram, numa década, quase nove mil milhões de euros no euromilhões, concurso que distribuiu no país metade desse valor (4,5 mil milhões), indicou à Lusa a Santa Casa de Misericórdia de Lisboa.

O concurso europeu teve o primeiro sorteio a 13 de fevereiro de 2004, em Paris, faz na quinta-feira 10 anos. Portugal entrou a 02 de outubro desse ano e o concurso atingiu rapidamente popularidade, que ainda hoje se mantém.

No balanço de uma década, fonte oficial dos Jogos Santa Casa disse à Lusa que, até 30 de novembro passado, os portugueses apostaram aproximadamente 8.913 milhões de euros. Só entre 01 de janeiro e 30 de novembro do ano passado foram gastos em apostas 854,9 milhões de euros.

Os países organizadores do euromilhões foram a Espanha, a França e o Reino Unido, e Portugal entrou depois com outros cinco países (Irlanda, Áustria, Bélgica, Suíça e Luxemburgo). Do «bolo» de apostas, os portugueses ganharam prémios, nesta década, no valor de 4.456 milhões de euros.

Até agora, segundo fonte oficial, foram atribuídos 51 primeiros prémios em Portugal, país que ocupa um terceiro lugar na lista dos mais sortudos, atrás da França (62 primeiros prémios) e da Espanha (54 primeiros prémios).

Ainda assim não foi em nenhum destes países que ficou o maior prémio de sempre do euromilhões. Em Portugal o maior prémio de sempre foi a 25 de março de 2011, com cerca de 69 milhões de euros, nada comparado com os 190 milhões de um primeiro prémio atribuído no Reino Unido.

Segundo os dados da Santa Casa enviados à Lusa, só no ano passado, até novembro, foram atribuídos sete primeiros prémios a apostadores portugueses, correspondendo a 149 milhões de euros.

E porque a vontade de ganhar não é apanágio nacional, no grupo dos nove países e numa década investiram-se no jogo mais de 60 mil milhões de euros. Só no ano passado, até 30 de novembro (últimos dados disponíveis) o volume de vendas foi superior a seis mil milhões.

Ainda assim, de acordo com a Santa Casa, nestes 10 anos, vários prémios nunca foram reclamados, alguns de valores significativos, como dois segundos prémios (um de 351 mil euros e outro de 192 mil) e um terceiro prémio de 79 mil euros (dinheiro que reverte para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa).

«Os beneficiários dos Jogos Sociais do Estado abrangem áreas que envolvem a promoção da saúde e prevenção da doença e da incapacidade, programas de combate à pobreza e exclusão social, a proteção civil, a segurança social, o policiamento de espetáculos desportivos, o desporto escolar, o turismo social e sénior», disse fonte oficial à Lusa, a propósito desse dinheiro.

Com um gabinete de apoio às pessoas com prémios superiores a um milhão de euros, a Santa Casa recebeu 216 contactos desde 2004, a maior parte (88) de premiados no totoloto, seguindo-se o euromilhões (com 85 contactos) e o joker (40 contactos). De acordo com a fonte oficial, a perceção é a de que os portugueses «têm sabido lidar com os prémios avultados de forma positiva».