O complexo turístico de luxo de Vale do Lobo, no Algarve, foi hoje novamente associado à “operação Marquês”, na sequência da prisão do antigo administrador da Caixa Geral de Depósitos Armando Vara, mas recusou tomar posição sobre o assunto.
 
Contactada pela Lusa, fonte das Relações Públicas do “resort” de luxo disse que Vale do Lobo não iria fazer qualquer declaração sobre a matéria.
 
Vale do Lobo é um “resort” turístico com vivendas, moradias, hotel e campo de Golfe, situado entre a Quinta do Lago e Quarteira, no concelho de Loulé, e o seu administrador, Diogo Gaspar Ferreira, também já tinha sido constituído arguido no âmbito do caso, que tem como único arguido detido o antigo primeiro-ministro José Sócrates, em prisão preventiva em Évora há mais de sete meses.
 
O envolvimento do “resort” na Operação Marquês começou em junho, com informações que davam conta de suspeitas do Ministério Público sobre um favorecimento que o então primeiro-ministro teria feito a Vale do Lobo, ao aprovar o Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve.
 
A 02 de Julho, o Ministério Público confirmou a realização de buscas na Câmara Municipal de Loulé relacionadas com a denominada "Operação Marquês", mas sem revelar se esta diligência visou obter documentação ou outro material probatório ligado ao empreendimento Vale do Lobo.
 
Tanto a defesa de José Sócrates como o “resort” negaram qualquer favorecimento do antigo governante a Vale do Lobo, mas hoje o empreendimento turístico e imobiliário voltou a estar em foco com as informações que o ligam a Armando Vara, ministro nos governos socialistas liderados por António Guterres
 
Armando Vara, de 61 anos, foi detido por suspeitas de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, informou na quinta-feira a Procuradoria-Geral da República (PGR) e está hoje a ser ouvido em tribunal.
 
Tiago Bastos, advogado de Vara, chegou ao tribunal pouco depois das 12:00, mas não prestou declarações aos jornalistas.
 
Em setembro do ano passado, Armando Vara foi condenado a cinco anos de prisão efetiva no processo Face Oculta por tráfico de influências. Esta decisão está em recurso no Tribunal da Relação do Porto.
 
Posteriormente, foi administrador da Caixa Geral de Depósitos e do Millennium BCP.
 
A ‘Operação Marquês’ já conta com nove arguidos, sendo que o ex-primeiro ministro José Sócrates é o único que se encontra preso preventivamente, indiciado por fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.
 
O empresário Carlos Santos Silva, o administrador do grupo Lena Joaquim Barroca, o ex-motorista de Sócrates, João Perna, o administrador da farmacêutica Octapharma Paulo Lalanda de Castro, a mulher de Carlos Santos Silva, Inês do Rosário, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o presidente da empresa que gere o empreendimento de Vale do Lobo, Diogo Gaspar Ferreira são os outros arguidos no processo.