Menos de uma hora depois de ter dito que o Ministério Público "levou uma trepa", o advogado João Araújo, que defende José Sócrates, disse mais no Jornal das 8 da TVI: aquela magistratura está perante um "problema sério", agora que será suposto deduzir acusação contra o ex-primeiro-ministro, que está em liberdade 11 meses depois de ter sido preso. 

"Dizem que sim, que vai ser para a semana ou não sei quando, mas eu tenho as minhas dúvidas. Há um limite para tudo. Não vejo como especialmente credível. O que eu acredito é que para o MP, enquanto magistratura, se vai colocar um problema sério que é justificar através de uma acusação, que não pode ser uma brincadeira, não pode ser leviana, uma barbaridade destas"


João Araújo assinalou que a defesa está desde o dia 21 de novembro de 2014, data em que Sócrates foi detido, à espera que o Ministério Público "faça o favor de dizer porque é que o prendeu e porque é que o manteve preso".

"Estamos fartos mas não cansados de esperar por esse momento, será na segunda-feira, quando tivermos acesso ao processo", do qual o advogado espera "nada". "Só qualificações", atirou. 

"Se houvesse factos já nos tinham dito, já se sabia. Há apenas uma suspeita fabricada, inventada e atirada para o ar. Factos não há. Posso assegurar que não há factos que justifiquem o que se passou. Não havendo factos, prisão [terá sido decidida] talvez pela esperança de os encontrarem, de aproveitarem a impossibilidade de um cidadão se defender eficazmente para irem à pesca de provas, à pesca de factos. Foi isso que se passou"


O advogado acusou a Procuradoria-Geral da República de não estar a dizer a verdade quando alega que a medida de coação já não se justificava. "Foi por efeito de um acordo da relação de lisboa, cujos efeitos [o MP] tentou contrariar o mais possível até ao esgotamento que eles se viram obrigados a libertar o engenheiro José Sócrates".