O inquérito para averiguar os motivos da inoperacionalidade da VMER de Évora, num caso de socorro a um doente que acabou por morrer, concluiu que não houve «atuação digna da censura» ou de «ilícito de natureza disciplinar».

«É possível concluir não se verificar uma qualquer atuação digna de censura, um qualquer ato passível de constituir um ilícito de natureza disciplinar», revelou esta quarta-feira, à agência Lusa, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, a propósito do inquérito à atuação da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).

O inquérito foi instaurado pela ARS a propósito da inoperacionalidade da VMER adstrita ao Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), no passado dia 2 de setembro. Nesse dia, a VMER não funcionou, por falta de recursos humanos, quando foi chamada a socorrer um doente em paragem cardiorrespiratória, que acabou por falecer.

Num comunicado enviado hoje à Lusa, a ARS do Alentejo revelou também que, não obstante os resultados do inquérito, decidiu emitir «alguns alertas/recomendações» ao conselho de administração do HESE: «É fundamental a nomeação do diretor do Departamento de Urgência/Emergência para garantir a efetiva integração das equipas da urgência/emergência».

Além disso, segundo a autoridade regional de Saúde, é necessário que as escalas da VMER só sejam aprovadas «quando completas», pelo que deve «existir uma maior colaboração interinstitucional na elaboração» das mesmas, entre o Instituto Nacional de Emergência Médica, a ARS e o HESE.

As situações de inoperacionalidade da VMER de Évora têm-se verificado «com alguma frequência», assinalou ainda. Contudo, reconhece o «esforço evidenciado» pelo HESE na «comprovada melhoria da operacionalidade da VMER», a qual passou de 77,25%, em 2013, para 96%», este ano.

O caso de 02 de setembro foi a terceira situação conhecida, em menos de um ano e envolvendo vítimas mortais, em que a VMER de Évora esteve indisponível para uma situação de emergência. Em abril deste ano, já não tinha participado no socorro a dois homens que sofreram um acidente, perto de Reguengos de Monsaraz, e que acabaram por morrer. 25 de dezembro de 2013 foi o primeiro cas: a VMER tinha estado inoperacional quando um acidente na Estrada Nacional (EN) 114, entre Évora e Montemor-o-Novo, envolvendo dois automóveis e um cavalo, provocou quatro mortos e quatro feridos graves.