O Tribunal de Torres Vedras condenou esta quinta-feira a 25 anos de prisão um homem pelo duplo homicídio ocorrido num café de Pêro Negro, Sobral de Monte Agraço, de que foram vítimas um seu amigo e a dona do estabelecimento.

Os crimes foram praticados na sequência de «brincadeiras», em que o amigo lhe chamava nomes relativos à alegada homossexualidade, orientação sexual que não tinha.

«Não consigo encontrar qualquer motivo que justificasse a sua conduta, por mais voltas que dê», afirmou o presidente do coletivo de juízes, Rui Teixeira, na leitura do acórdão.

O homem, que era caçador, foi condenado a 19 anos pelo homicídio do amigo (mais agravada pela relação de amizade) e a 17 anos pelo da vizinha e dona do café. Em cúmulo jurídico, a pena foi fixada em 25 anos de prisão, o máximo permitido em Portugal.

O arguido foi ainda condenado na pena acessória de interdição de uso e porte de arma durante 15 anos e a pagar uma indemnização total de 400 mil euros aos familiares das vítimas.

O tribunal deu como provada a maioria dos factos descritos na acusação do Ministério Público, e que assenta no facto de, incomodado por o amigo lhe chamar «gay», no dia 19 de julho de 2013, saiu de casa com a sua caçadeira, munida com quatro cartuchos, para se vingar e, cerca de uma hora depois, dirigiu-se ao café da aldeia para ajustar contas.

Depois de matar o amigo, disparou um segundo tiro, que atingiu a proprietária do café, que veio a morrer já no hospital de Loures.

Apesar de o agressor não ter antecedentes criminais, o tribunal justificou a decisão com o facto de «nunca ter tido um único ato de arrependimento» pelos crimes, após os quais se colocou em fuga no seu automóvel, sem prestar qualquer assistência ou pedir socorro às vítimas.

Já em casa terá tentado o suicídio, vindo a receber assistência no hospital de Loures, onde permaneceu sob custódia da Polícia Judiciária.

À saída do julgamento, a sua advogada, Ania Santos, disse que vai recorrer da decisão.