
Continua a dar que falar a super-promoção dos supermercados «Pingo Doce» no dia 1 de Maio. Agora é a reação do presidente do grupo Jerónimo Martins, que assumiu ao jornal «Sol» que ele próprio não conhecia a campanha.
«Nem eu sabia», escreve o jornal em manchete, citando Alexandre Soares dos Santos, e acrescentando que a campanha foi planeada em completo segredo.
A declaração surge no dia em que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) terá encontrado indícios de venda com prejuízo na campanha de promoção realizada pelo Pingo Doce no 1.º de Maio.
Segundo a Antena 1, a ASAE está a recolher provas do ilícito, que dará origem a um processo de contra-ordenação levado a cabo pela Autoridade da Concorrência. Mas a informação avançada pela rádio pública não foi ainda confirmada à Agência Financeira; certo é que um processo desta dimensão obrigará à recolha de prova por todo o país e respeitante a todos os produtos à disposição nas lojas no dia do Trabalhador.
A investigação da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) vai estar concluída esta sexta-feira ou no início da próxima semana, informou o inspetor-geral.
António Nunes disse à agência Lusa que a ASAE está a recolher informação para aferir se houve ou não irregularidades.
No caso de serem detetadas irregularidades, a ASAE lavrará o correspondente auto de notícia, que será enviado para a Autoridade da Concorrência, a qual fará a instrução do respetivo processo, precisou.
Na quarta-feira, à TVI, o diretor-geral do Pingo Doce, desmentiu categoricamente qualquer acusação de ilegalidade, garantindo que não fez nenhuma «venda com prejuízo» e muito menos dumping.
A Antena 1, que cita fonte da investigação, garante que, «das centenas de facturas fiscalizadas, há dezenas de produtos que foram vendidos abaixo de preço de custo», sobretudo, sublinham, arroz, óleo e whisky.
Como a Agência Financeira tinha publicado ontem, a provar-se que as vendas foram realizadas com prejuízo, situação para a qual existem fortes indícios - uma vez que a empresa ofereceu 50% de desconto em compras a partir dos 100 euros -, então o grupo poderá ser punido com uma coima chega aos 15 mil euros por produto (e não por unidade) que seja vendido abaixo do preço.
Contactado pelo «Jornal Económico» e também pelo «Jornal de Negócios», o Pingo Doce adiantou que ainda não foi notificado sobre a eventual conclusão da investigação da ASAE. Fonte oficial do Ministério da Economia não quis fazer qualquer comentário.
Sindicato ataca
Entretanto, o sindicato dos trabalhadores do comércio defendeu a aprovação de mais regras que protejam os funcionários e os consumidores da competição desenfreada a que assiste. O presidente do sindicato, Manuel Guerreiro, não tem dúvidas de que o Governo é o principal responsável.
«É responsável em primeiro lugar porque criou as condições para existirem estas guerras, quando liberalizou por completo o mercado, quando anulou todas as regras que existiam em relação a estas empresas e quando, de alguma forma, se coloca ao lado das empresas nestas guerras», acusou, em declarações à TSF.
«Esta guerra desencadeada pelo Pingo Doce evidencia de facto que estamos num país onde não existem regras e as que existem não são cumpridas. Portanto é preciso regular o mercado, na perspetiva de que todos os formatos e todas as empresas devem existir porque criam emprego mas também porque isso é essencial para preservar os direitos dos