Cerca de meia centena de pessoas concentraram-se esta tarde junto ao Ministério da Saúde, em protesto contra a reorganização das urgências na área da Grande Lisboa.

A Plataforma de Lisboa em Defesa do Serviço Nacional de Saúde, que organiza a iniciativa, junta comissões de utentes, sindicatos de profissionais de saúde, Sindicatos dos Trabalhadores da Função Pública e o Movimento Democrático das Mulheres.

«Urgências não servem para experiência economicista» e «Fechar urgências é ato criminoso» são algumas das frases colocadas em cartazes, que ilustram o protesto em frente à sede do Ministério da Saúde, em Lisboa.

As urgências noturnas de Lisboa, das especialidades de Psiquiatria e Oftalmologia, vão passar a estar concentradas a partir de segunda-feira, nos hospitais de Santa Maria e de S. José

Ana Amaral, da Plataforma, explicou aos jornalistas que esta ação visa, sobretudo, mostrar o descontentamento relativamente à reorganização das urgências na área da Grande Lisboa, que, segundo diz, vai prejudicar utentes e profissionais de saúde.

A Plataforma contesta ainda a ausência de estudos conhecidos que sustentem essa organização.

«Saiu um despacho da Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo que não traz acompanhado nenhum estudo nem nenhum tipo de fundamentação», lamentou Libério Domingos, representante da Plataforma, exigindo explicações ao Ministério da Saúde sobre as bases desta decisão.

Para a Plataforma, a área da Grande Lisboa tem assistido a «uma sequência de encerramentos de hospitais ou valências hospitalares», com o objetivo de empurrar os doentes para as unidades de saúde privadas.

«Temos forçosamente de encarar que esta política do Governo quer empurrar os utentes para o setor privado. Quer reduzir drasticamente a oferta pública na área das urgências ou dos cuidados de saúde, e empurrar os doentes para o privado», frisou Libério Domingos em declarações aos jornalistas durante o protesto.

O representante da Plataforma e sindicalista considerou ainda que esta reestruturação ignora que «há tempos de espera nas urgências de quatro ou cinco horas», assim como «uma carência enorme» na área das urgências de especialidade.