
O ex-diretor-geral de saúde, Constantino Sakelarides, defendeu esta quarta-feira em, Fátima, que a continuidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em Portugal passa pela criação de políticas de proteção europeias.
«Para preservar o que foi construído, ou nos tornamos rapidamente mais europeus e criamos políticas de proteção ou vamos sofrer constrangimentos nessa esperança de ter uma saúde melhor», disse, citado pela Lusa, aquele que é o «rosto» da Fundação Serviço Nacional de Saúde.
Em resposta a um dos participantes no XXIV Encontro Nacional da Pastoral da Saúde, Constantino Sakelarides admitiu que a continuidade do SNS está em causa se tudo continuar como está.
«Até agora víamos o SNS apenas numa dimensão nacional, hoje temos que compreender o que se passa na Europa», disse, acrescentando que «para favorecer o SNS em Portugal temos que falar com os nossos colegas a nível europeu, porque a solução não é só nacional».
O especialista em saúde pública admitiu que as dificuldades de crescimento da economia nas últimas décadas e os sucessivos endividamentos tornam árdua a construção de uma sociedade justa, mas que «importa minimizar o impacto na saúde».
Constantino Sakelarides reafirmou hoje em Fátima que algumas das medidas que constam do memorando assinado com a troika «violam diretamente espírito dos tratados europeus».
O ex-diretor-geral de Saúde sustentou que muitas das medidas contidas no documento «já deveriam ter sido concretizadas», mas advertiu que «não podem ser daquela maneira, naquela sequência e com aquele calendário».
A intervenção de Sakelarides intitulada «O Serviço Nacional de Saúde - Uma experiência de 30 anos» foi realizada na sessão da manhã que marcou o arraque dos trabalhos do Encontro Nacional da Pastoral da Saúde, que decorre em Fátima até ao próximo sábado.
A iniciativa, promovida pela Comissão Nacional da Pastoral da Saúde da Igreja Católica Portuguesa, está subordinada ao tema «Cuidados de Saúde, Lugares de Esperança (A Saúde em Portugal)».