O Sindicato Nacional dos Bombeiros Profissionais (SNBP) acusou a direção da Associação Humanitário dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde (AHBVE), concelho de Valongo, de recorrer a "pessoal não qualificado para transporte em ambulâncias do INEM".

Em comunicado, o SNBP descreve que desde 1 de julho o transporte de doentes no período noturno (entre as 20:00 e as 08:00) é realizado por dois elementos "sem a formação adequada para assegurarem o serviço de emergência".

Em causa está o facto, de acordo com a nota do SNBP, de esses colaboradores não terem formação de Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS) para viatura do INEM. Acresce, segundo o sindicato, o facto de um dos elementos não ter formação de Tripulante de Ambulância de Transporte (TAT) atualizado.

"Para o SNBP, esta situação é muito grave, porque poderá colocar em causa a segurança de pessoas e bens e o profissionalismo e eventualmente a imagem dos bombeiros da AHBVE", lê-se no comunicado do Secretariado Regional do Norte do SNBP enviado à Lusa.


A estrutura sindical acrescenta que "neste momento" esta associação humanitária "tem trabalhadores suficientes devidamente certificados para assegurar todas as solicitações".


"Por esta razão, o recurso a trabalhadores sem formação adequada para assegurar a escala noturna, é uma opção da direção da AHBVE", refere a nota.


O SNBP avançou, ainda, que reuniu quarta-feira com o presidente da câmara de Valongo a fim de lhe dar nota desta e de outras situações, bem como decidiu solicitar ao INEM e à Autoridade Nacional de Proteção Civil para que "ajam em conformidade".

A agência Lusa contactou a direção dos bombeiros de Ermesinde que confirmou o recurso a elementos com formação TAT em alguns períodos do dia, mas garantiu que esse recurso está autorizado pelo INEM não sendo obrigatório o recurso a elementos com formação de TAS.

O presidente da AHBVE, Jorge Videira, acrescentou, no entanto, que "a partir de agosto todas as ambulâncias em todos os períodos serão usadas por elementos com formação de TAS", contando que esta associação "gastou recentemente mais de 10.000 euros em formações especificamente na área do transporte de doentes".