O ministro da Administração Interna reagiu, esta quinta-feira, à informação que de os fenómenos de extrema-direita estão a ganhar força, em Portugal. Eduardo Cabrita afirmou que país está atento "a todos os fatores de risco", mas realçou que a realidade portuguesa está muito longe do que que acontece noutros países da Europa. 

“Naturalmente estamos atentos a fenómenos, que exatamente porque estão muito longe daquilo que são a dimensão noutros países, o que decorre também do sucesso da intervenção das forças de segurança (…) Nós estamos atentos a todos os fatores de risco”, disse o ministro em declarações aos jornalistas, na baixa de Lisboa. 

As declarações do ministro surgem depois desta quarta-feira ter sido aprovado o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), onde, segundo notícia hoje o Diário de Notícias, as secretas alertam para um aumento da atividade destes grupos radicais, em Portugal. 

A extrema-direita portuguesa continuou a aproximar-se das principais tendências europeias, na luta pela "reconquista" da Europa pelos europeus", lê-se no relatório, segundo o DN. 

Segundo a análise do RASI, os skinheads nacionais promoveram contatos com outros grupos de extrema-direita europeia com o intuito de promover um plano político. 

Para além de intensificarem os contactos internacionais, estes extremistas desenvolveram um esforço de convergência dos seus diferentes setores (identitários, nacional-socialistas, skinheads), no sentido de promoverem, no plano político e metapolítico, os seus objetivos".

Os espiões das secretas portuguesas têm acompanhado a atividade destes grupos e avaliado o nível de ameaça que representam. Segundo o relatório, os grupos de extrema-direita reforçaram "a propaganda online" e multiplicaram as "iniciativas com alguma visibilidade - como concertos, conferências, apresentações de livros e protestos simbólicos - participadas por militantes de diferentes quadrantes".

A atividade destes grupo é muitas vezes marcada pelas agressões e o último ano não foi exceção. Segundo o relatório, a "violência permaneceu como um traço marcante da militância de extrema-direita, havendo registo de alguns incidentes, nomeadamente agressões a militantes antifascistas".

O aumento da atividade de grupos de extrema-direita teve reflexo no último fim de semana quando dezenas de elementos do grupo motard Hells Angels atacaram seis rivais num restaurante no Prior Velho. Mário Machado,  que cumpriu quase 10 anos de prisão, já conhecido pelas autoridades, também estava presente e deixou claro que iria continuar os seus objetivos. O confrontos entre os grupos rivais com marretas, facas e barras de ferro e fizeram seis feridos.