E se terra tremesse, sabia o que fazer? Imagine o seguinte cenário: 13 de outubro de 2014, segunda-feira, 10:13 e, de repente, a terra treme, durante um minuto.

Um minuto que pode significar a perda de vidas, a queda de edifícios, o abatimento de estradas. O que fazer? A Autoridade Nacional de Proteção Civil explica o que fazer.

A iniciativa «A Terra Treme» é um exercício de um minuto que pretende alertar e a população sobre como agir antes, durante e depois da ocorrência de um sismo, ou seja, as autoridades desejam com esta iniciativa dar a conhecer à população os três gestos a praticar e que podem salvar vidas em caso de sismo.

Durante o exercício, os cidadãos devem baixar-se sobre os joelhos, uma posição que evita cair em caso de ocorrência de tremor de terra, também devem proteger a cabeça e o pescoço com os braços e as mãos, procurando abrigar-se, se possível colocando-se sob uma mesa resistente e segurar-se firmemente a ela. Por fim, devem aguardar até que a terra pare de tremer.
Três gestos simples, que pode salvar-lhe a vida.

No dia a dia, e à distância do tempo, o terramoto que assolou Lisboa em 1755 parece apenas um facto histórico, presente nos livros e na arquitetura da capital. Era 1 de novembro de 1755, pelas 09:00, quando a terra tremeu duas vezes, seguido de um tsunami que arrasou Lisboa. Um dia de Todos os Santos que se tornou no dia de todos os medos. Na altura, morreu dez por cento da população, muito menor do que aquela que atualmente vive e faz a sua vida na capital.

Dois séculos e meio depois, saiba que Lisboa continua em perigo. A TVI já alertou para esses riscos mais do que uma vez. Portugal sofreu em 1755 um terramoto de magnitude 8,5 a 9, na escala de Richter, semelhante àquele que avassalou o Japão em 2011. E é uma certeza científica que vai repetir-se a qualquer momento. «Pode ser amanhã, pode ser depois de amanhã. É errado pensar que só será em 2755», disse à TVI Maria Ana Viana Baptista, geofísica, em 2012.

O Laboratório Nacional de Engenharia, em 2005, previu que o grande terramoto vai matar entre 17 mil e 27 mil pessoas, mas essa estimativa peca por defeito. O grande problema está na falta de resistência da maioria dos edifícios portugueses, ao contrário do que acontece no Japão, explicou Mário Lopes, professor do Instituto Superior Técnico.

A Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica, num documento a que a TVI teve acesso, avisa que em Portugal nem sequer os hospitais estão preparados para um sismo. 

As políticas de controlo da qualidade da construção e os planos de reabilitação urbana têm ignorado a maior ameaça que paira sobre a economia e a vida dos portugueses.

O Algarve, o Litoral Alentejano e a grande Lisboa, serão gravemente afetados pelo sismo que pode acontecer a qualquer momento.

Resta-nos tentar prevenir. O exercício desta segunda-feira, realizado pela segunda vez em Portugal, é inspirado no modelo norte-americano «ShakeOut».

Este simulacro, levado a cabo num centro de dia dos Olivais, em Lisboa enquadra-se nas iniciativas previstas para o Dia Internacional para a Redução de Catástrofes, iniciativa das Nações Unidas, cujo tema central destaca as questões do envelhecimento demográfico, e de que forma a população idosa pode e deve ser mais envolvida nos processos de planeamento e conhecimento dos riscos.

À distância do tempo, não há fotografias de Lisboa destruída em 1755, mas ficam as imagens do Japão em 2011. Podia ser Portugal.