O primeiro-ministro do Governo de transição da Guiné-Bissau, Rui de Barros, afirmou esta quarta-feira que o Ministério Público vai apurar todas as responsabilidades criminais de implicados no caso do embarque forçado de 74 sírios na TAP para Portugal.

Rui de Barros fez este anúncio no seu discurso de cumprimentos de novo ano ao Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, no Palácio da Presidência, em Bissau, na presença de todos os membros do Governo e chefias militares.

O primeiro-ministro afirmou que os dossiês do caso da TAP, «tal como outros» que ocorreram durante o seu mandato, foram já remetidos ao Ministério Público para seguirem os seus trâmites e o apuramento de responsabilidades criminais dos implicados.

Uma comissão de inquérito sobre os incidentes com o avião da TAP, ocorridos no dia 10 de dezembro passado, concluiu que foi o ministro do Interior do Governo de transição, António Suca Ntchama quem pressionou a tripulação da companhia aérea portuguesa a transportar os 74 sírios para Lisboa onde acabaram por pedir asilo político a Portugal.

O ministro, que entretanto colocou o lugar à disposição embora ainda permaneça em funções, foi ouvido no Ministério Público no dia 23 de dezembro, mas o Procurador-Geral da República, Abdu Mané, diz que o governante ter-se-á recusado a ser detido.

O ministro nega a versão do procurador e os dois dirigentes têm vindo a público nos últimos dias trocando acusações.

Rui de Barros considerou que os incidentes ocorridos em 2013 e com os quais o seu Governo foi obrigado a fazer face tiveram como propósito «denegrir a imagem» da Guiné-Bissau.

Para o primeiro-ministro guineense de transição, o embarque forçado de 74 sírios num voo da TAP com passaportes falsos «foi um ato atentatório à segurança e leis internacionais», mas que acabou por afetar as relações da Guiné-Bissau com os parceiros.

«O Governo está a trabalhar no sentido de restabelecer a confiança entre parceiros e garantir a segurança de voos internacionais e intercontinentais a partir do aeroporto de Bissau», afirmou Rui de Barros.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, disse hoje que não está garantida a segurança para serem retomadas as ligações aéreas entre Portugal e a Guiné-Bissau, reiterando esperar que seja eleito naquele país um «Governo legitimado» em março.