O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras tem dúvidas sobre a nacionalidade síria dos 74 passageiros que chegaram a Lisboa na terça-feira provenientes de um voo da Guiné-Bissau com passaportes falsos, disse esta quinta-feira à Lusa fonte do SEF.

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Segundo a mesma fonte, alguns dos passageiros, que entraram em Portugal com passaportes turcos falsos, apresentaram ao SEF fotocópias de documentos supostamente com a sua verdadeira identidade e nacionalidade síria.

No entanto, as fotocópias não terão convencido totalmente os inspetores do SEF, tendo a fonte adiantado que «há suspeitas da verdadeira nacionalidade».

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A mesma fonte disse esperar que durante o processo de análise do pedido de asilo dos 74 refugiados seja esclarecida a verdadeira nacionalidade.

Os 74 passageiros - 21 crianças, 15 mulheres e 38 homens - embarcaram na madrugada de terça-feira no voo TP202 de Bissau para Lisboa, tendo passaportes falsos da Turquia, «apesar dos alertas das competentes autoridades portuguesas e da companhia aérea», de acordo com um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Fonte do SEF disse à Lusa que o comandante do voo da TAP foi forçado pelas autoridades da Guiné-Bissau a proceder ao embarque dos passageiros.

Na sequência desta ocorrência, a TAP anunciou na quarta-feira a suspensão da operação para Bissau perante aquilo que classificou como uma «grave quebra de segurança», até «uma completa reavaliação das condições de segurança oferecidas pelas autoridades guineenses» no aeroporto da capital guineense.

Fonte do SEF disse, entretanto, à Lusa que os voos da TAP entre Bissau e Lisboa são considerados de «risco» devido à passagem de imigrantes ilegais, sendo essas uma das razões porque o SEF tem um oficial de ligação na Guiné-Bissau.

A mesma fonte adiantou que nos últimos seis meses é frequente viajarem entre as capitais da Guiné-Bissau e de Portugal cidadãos ilegais, com passaportes falsos.

Os 74 refugiados pediram asilo político a Portugal e foi-lhes concedido um visto especial de entrada no país por razões humanitárias, aguardando a conclusão do processo em centros de acolhimento fornecidos pela Segurança Social.

A presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR), Teresa Tito Morais, disse à Lusa que «o processo pode demorar um ou dois meses».