As autoridades portuguesas estão atentas ao risco de novos casos de poliomielite na sequência do surto na Síria e garantem que os refugiados sírios acolhidos por Portugal foram vacinados segundo o programa nacional que inclui a vacina contra a doença.

«Os refugiados sírios que foram acolhidos por Portugal estão identificados, têm assistência médica à chegada e em continuidade, e recomendação para o cumprimento do Programa Nacional de Vacinação», explicou, Teresa Fernandes, da Direção-Geral da Saúde (DGS), em resposta escrita enviada à agência Lusa.

A 29 de outubro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou a existência de dez casos de poliomielite em crianças sírias no nordeste do país. Atualmente, já estão registados 17 casos naquele país.

«Este vírus chegou por terra, o que significa que não se encontra apenas nesta região da Síria, mas numa vasta extensão do território», afirmou o vice-diretor-geral da OMS para a poliomielite, Bruce Aylward.

Na altura já estavam em Portugal várias famílias de refugiados sírios, tendo a DGS remetido o alerta internacional para as autoridades de saúde competentes.

«Estas crianças foram já vacinadas de acordo com o programa Nacional de Vacinação, que inclui a vacina contra a poliomielite», informou Teresa Fernandes, da Direção de Serviços de Prevenção da Doença e Promoção da Saúde da DGS.

A DGS reconhece que «a importação de casos é um problema». Segundo Teresa Fernandes, este ano foi detetado um portador de vírus vacinal, um doente de um País Africano de Língua Oficial Portuguesa que veio tratar-se em Portugal, sem sintomas de poliomielite.

Este cidadão tinha recebido há pouco tempo a vacina oral contra a poliomielite ¿ que tem vírus ativo, mas atenuado ¿ e encontrava-se a libertar o vírus que tinha recebido através da vacina.

«A sua deteção demonstra a eficiência do nosso programa de vigilância», nomeadamente a vigilância laboratorial, da responsabilidade do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

Em Portugal, a vacina utilizada desde os anos 60 foi a oral e «foi assim que se conseguiu eliminar a doença».

No entanto, e porque «esta vacina pode provocar cerca de um caso de poliomielite paralítica em cada milhão de vacinados», em 2006 a vacina oral atenuada foi substituída pela vacina injetável inativada.

Em Portugal o último caso de poliomielite foi registado em 1986.

«Apesar de termos atingido os níveis de cobertura vacinal necessários ao controlo da doença no país, poderão existir pequenas bolsas de população em que a cobertura vacinal não seja ainda a desejada», reconhece a DGS.

As autoridades elaboraram recentemente um documento que reúne a informação e orientações mais recentes sobre o combate à poliomielite, o qual se encontra em discussão pública.

Os principais objetivos deste programa são «manter a ausência de circulação do vírus da poliomielite em Portugal» e «manter o estatuto nacional de eliminação da doença, segundo os critérios internacionais».

Hoje, a OMS aumentou a sua previsão de alcance da campanha de imunização contra a poliomielite no Médio Oriente, com a qual pretende atingir 23 milhões de crianças na Síria e nos países vizinhos.

Trata-se da maior campanha de vacinação desenvolvida no Médio Oriente, com a qual a OMS pretende travar a expansão do vírus da poliomielite.