O presidente da Plataforma Global de Apoio Académico aos Estudantes Sírios (APGES), que este domingo recebeu 40 bolseiros da Síria, reclamou uma agenda humanitária de apoio internacional para o ensino universitário daqueles refugiados.

O antigo Alto Representante das Nações Unidas para Aliança das Civilizações, que falava na receção aos novos estudantes sírios que chegaram hoje a Portugal naquele que é o terceiro grupo bolseiros de estudo de emergência, revelou que na próxima semana irá reunir-se em Nova Iorque com responsáveis de outros países para discutir o auxílio humanitário de estudantes.

“É preciso discutir a sério o auxílio humanitário de emergência para estudantes porque se nós tivéssemos agido no mundo para cuidar daqueles que tiverem de interromper os seus estudos, e são milhares, já havia muito mais gente preparada para quando a paz vier”, disse Jorge Sampaio.

O antigo Presidente da República discursou perante os 33 estudantes que chegaram pouco antes a Portugal vindos do Líbano, aos quais se juntaram sete que já se encontram a estudar, dando-lhes as boas vindas e apelando que estes se “sintam em casa” enquanto estão a “construir o futuro académico”.

Segundo Jorge Sampaio, o balanço do programa da plataforma é “muito bom”, lembrando que em 15 dias, em novembro de 2013, houve 2.500 estudantes que inscreveram os seus currículos, tendo sido selecionados primeiro 63, enquanto 37 foram para outros países, tendo chegado aos atuais 40.

Quando questionado sobre a reunião dos bolseiros com as suas famílias, Jorge Sampaio que foi durante seis anos o primeiro alto representante da ONU para o Diálogo das Civilizações, respondeu que esta não vai ser uma questão fácil de resolver.

Hoje, Mohammed Almufdi juntou-se à irmã que se encontra em Portugal desde outubro do ano passado, de forma a prosseguir os estudos e concluir o semestre que lhe falta para ser dentista.

“Foi uma seleção competitiva para alcançar a bolsa, espero que haja mais vagas para mais sírios. Fui aceite há dois anos no início do programa, mas não vim porque estava a estudar no Iémen depois de ter começado a guerra”, começou por dizer o jovem de 26 anos.

Mohammed Almufdi foi perentório em afirmar que não vem “roubar os empregos a ninguém como alguns europeus pensam”, sublinhando que deu o seu melhor durante três anos, tendo passado por outros países para fugir da guerra como a Turquia e o Iémen.

“Estou muito grato por esta bolsa e espero ser um bom embaixador do meu país”, disse Mohammed Almufdi aos jornalistas, escusando-se a falar do estado atual da Síria devido a “uma mistura de sentimentos” e “pontos de vista políticos muito diferentes” entre os estudantes que hoje chegaram a Portugal.


Alaa, irmã de Mohammed com 30 anos e futura ginecologista, encontra-se em Portugal há 11 meses, mostrando-se perfeitamente adaptada ao país, à cidade de Lisboa e às pessoas.

“A vinda do meu irmão foi o meu presente do Eid, o dia tradicional de troca de prendas, o mais parecido com o Natal católico”, disse emocionada à agência Lusa, adiantando que o seu objetivo é continuar os estudos que abandonou na Síria devido à guerra, quando se encontrava no quarto ano de ginecologia.

“Quero regressar à Síria quando a paz voltar ao país, como os meus compatriotas. Espero voltar em breve, vamos ver.

Jorge Sampaio não revelou muitos pormenores sobre a possibilidade da chegada de mais um grupo de estudantes sírios para acabar o curso de medicina, adiantando que houve a abertura de uma universidade portuguesa para acolher esses estudantes.

A Plataforma Golbal de Assistência a Estudantes Sírios lançada por Jorge Sampaio em 2013 já acolheu 63 jovens estudantes até hoje, dia em que se lhes juntam mais 33.