Associações representativas dos bombeiros portugueses alertaram para as fragilidades existentes no atual sistema de comunicações entre as autoridades da Proteção Civil (SIRESP) e defenderam a necessidade de o Governo encontrar alternativas mais “modernas e fiáveis”.

“Já foi provado por A+B que o atual sistema foi mal produzido e o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. São precisos melhores equipamentos, com melhor sistema de retransmissão. Um sistema que fosse estudado com tecnologia avançada e de satélite. Um SIRESP moderno”, afirmou à agência Lusa o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Jaime Marta Soares.

Num momento em que o país foi mais uma vez devastado pelos incêndios, o presidente da LBP sublinhou que “só o engenho e capacidade de improviso de muitos bombeiros, em termos de comunicação, tem evitado que a dimensão das tragédias seja ainda maior”.

“Graças ao seu engenho vão conseguindo equilibrar os desequilíbrios que vão acontecendo. Num teatro de operações, num combate, numa batalha, contra um inimigo poderoso, as comunicações são umas das melhores armas que poderemos utilizar. A falta de comunicações pode fazer cair por terra qualquer estratégia que está montada”, alertou.

No mesmo sentido, o presidente da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários, Rui Silva, defendeu a necessidade de ser criada uma rede de emergência, com previsões de todos os riscos naturais (incêndios, sismos e inundações) e um melhoramento do sistema atual.

“Quando estamos muito dependentes da rede da PT, que nem sempre estão colocadas da melhor forma, pois muitas delas são aéreas e sofrem com os incêndios, e quando temos falhas por causa das zonas escuras, temos de pensar em alternativas ou melhorar o que existe”, apontou.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 35 mortos e dezenas de feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o Governo assinou um despacho de calamidade pública, abrangendo todos os distritos a norte do Tejo, para assegurar a mobilização de mais meios, principalmente a disponibilidade dos bombeiros no combate aos incêndios.

Portugal acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, no verão, um fogo que alastrou a outros municípios e que provocou 64 mortos e mais de 250 feridos.